Catarina estava estática. Não sabia o que dizer, mesmo que tivesse tanto a falar, a tentar explicar e pedir perdão a seu pai por tanto mal que o causou. Parecia que todo o tempo que usou para se preparar para aquele momento foi em vão, pois apesar de ter muito a dizer, nem uma única palavra ela conseguia falar.
Ela obrigou suas pernas a se moverem de lugar e deu alguns passos em direção a seu pai. Suas mãos estavam trêmulas, ela suava frio, seu coração acelerado. Eles se encararam e, mesmo com sua voz falha, ela falou:
- Por favor, sente-se. - Ela disse apontando para uma cadeira. Ele sentou-se e ela respirou fundo indo em direção a outra cadeira e sentando-se. - Não sei nem por onde começar.
- Que tal pelo começo? - Augusto disse. - Porque, Catarina? Porque fez tudo aquilo? Porque destruiu nosso reino? - Ele perguntou sem rodeios. Seu olhar transmitia tristeza, mas queria ouvir tudo que ela tinha a lhe dizer.
Catarina ficou calada por um instante olhando para seus próprios dedos pensando em como responder a tudo aquilo. A verdade era que fez tudo por sede de poder, mas percebeu que nada adiantou. Seu casamento com Rodolfo foi um fracasso e no fim das contas tudo que causou de nada serviu.
- Eu... - Ela engoliu em seco e continuou. - Eu poderia mentir, meu pai, poderia lhe dizer que foi algo mal pensado, feito por impulso, mas não quero dizer tais inverdades. - Catarina olhou para seu pai e ele a encarava com uma expressão impassível.
Aquilo a atingiu como um soco, preferia que ele gritasse, que ele lhe praguejasse do que vê-lo com aquela expressão que, aparentemente, nada dizia. Mas por dentro, Augusto estava mergulhado em uma tristeza sem fim, queria chorar, mas precisava ser forte.
- A verdade é que fiz tudo aquilo por poder. Queria ser a rainha não só de Artena, mas também de Montemor. - Catarina falou, olhou para o chão e deu um sorriso triste. - Mas o castigo não tardou e isso não me levou a lugar algum e hoje estou aqui, há alguns meses da minha condenação. Mas há uma coisa da qual eu me arrependo muito mais do que ter causado aquela guerra.
- E o que seria? - Augusto perguntou e olhou bem no fundo dos olhos de sua filha, que estava segurando as lágrimas.
- De todo o mal que o causei. - Augusto, ao ouvir essas palavras, sentiu seu coração acelerar. - Eu sei... eu sei que é difícil o senhor acreditar em minhas palavras, não o julgo se não acreditar, sei que lhe causei muito sofrimento. - Nesse momento Catarina deixou que as lágrimas caíssem. Ela colocou os braços sobre a mesa e passou as mãos em seus rosto secando as lágrimas, ato que foi em vão, pois elas não paravam de descer, mas continuou a falar.
- Pra ser sincera, acho que comecei a me arrepender dos meus atos no dia que o senhor me deu aquele tapa no rosto. - Catarina falou e não estava mentindo. - Eu sempre quis ser motivo de orgulho para o senhor, mas optei por fazer tudo errado e acabei te causando tanta dor.
- Aquele foi um dos dias mais tristes de minha vida, Catarina. - Augusto disse também entre lágrimas. - A dor no meu peito parecia que nunca ia cessar. A tristeza por saber que não confiou em mim quando lhe disse que um dia a coroa de Artena seria sua e que você seria uma grande rainha. Eu me senti traído e não há dor pior que a traição, ainda mais quando ela vem de alguém que tanto amamos.
Catarina não conseguiu responder àquilo. Se sentia envergonhada, arrependida e queria voltar no tempo e jamais ter executado aquela ideia que levou a sua ruína e de seu reino.
- Por muito tempo eu nutri muita raiva pelo que você me fez, mas a verdade é que um pai jamais deseja o mal à sua filha, mesmo que ela o tenha machucado tanto. - Augusto disse e Catarina sentiu seu coração aquecer. Seu pai não a odiava como ela achou.
- Meu pai, eu não sei se um dia irá me perdoar, mas eu quero que uma coisa fique muito clara. - Catarina relutou um pouco, mas criou coragem e segurou as mãos de seu pai e o encarou. Era esse o momento, precisava pedir perdão. - Eu nunca, nunca, jamais desejei vossa morte. A dor em meu coração e o arrependimento aumentavam a cada dia sempre que eu recebia alguma notícia sobre o senhor, quando os guardas da torre me contavam sobre vossa mágoa, sobre vossa tristeza. Só eu sei o quanto eu quis ir até a torre e lhe implorar o perdão, mas das vezes que fui não tive coragem. - Catarina chorava enquanto expunha tudo o que estava entalado em sua garganta.
- Isso só mostra o quanto eu fui covarde. Covarde com nosso reino e principalmente com o senhor, meu pai. E esse é o único pedido que eu gostaria de lhe fazer, que o senhor me perdoe. Sei que não tem motivos para acreditar em nada que venha de mim, mas a única coisa que eu gostaria de ter antes de cumprir minha sentença é o vosso perdão.
Catarina chorava a ponto de soluçar. Suas palavras eram verdadeiras. O arrependimento que sentia por seus atos a corroiam por dentro a cada dia e esse era um castigo pior que a fogueira a qual foi condenada, pois ela havia se tornado uma prisioneira da própria mente que a atormentava o tempo inteiro com seus pensamentos.
Augusto já havia perdoado Catarina há muito tempo, ele percebia nas vezes que ela o visitou que ela, mesmo sem dizer, demonstrava arrependimento pelo que fez. Ele só precisava ouvir isso dela mesma.
- Eu já a perdoei, Catarina. Eu a amo incondicionalmente, mas eu precisava ouvir essas palavras de sua boca, precisava ter certeza de seu arrependimento. Por isso muitas vezes a tratei com frieza, precisava ter certeza de suas palavras. - Augusto disse e tocou o rosto de sua filha, enxugando suas lágrimas. - Se você está verdadeiramente arrependida, eu não posso não perdoa-la, nem que eu quisesse e sabe porque?
- Porque? - Catarina perguntou com sua voz trêmula.
- Porque eu a amo. - Augusto disse tomado pela emoção e Catarina lhe deu o sorriso mais lindo que ele já havia visto na vida. - Eu te amo, minha filha.
Catarina levantou-se e jogou-se nos braços de seu pai o abraçando com toda a sua força. Augusto sorriu ao sentir sua filha mais uma vez em seus braços, era como se ela ainda fosse aquela bebezinha que Demétrio lhe trouxe há 22 anos, tão pequena e tão frágil.
- Eu te amo, meu pai, eu te amo muito. - Catarina segurou o rosto de seu pai entre suas mãos. - Por favor, jamais duvide disso e me perdoe por todo mal que lhe causei, me perdoe, meu pai, eu te amo. - Ela dizia enquanto o abraçava. Augusto acariciava-lhe os longos cabelos negros.
- Eu te perdoo, minha filha. Eu te amo muito. - Catarina sorria feliz ao ouvir aquilo.
Entre todas as suas ambições e seu desejo por poder, ela jamais imaginou que seria capaz de trocar qualquer coisa por aquele momento, pelo perdão de seu pai. Se sua condenação fosse hoje, ela iria feliz, pois o que havia ganhado lhe valia mais que qualquer reinado e que todo o ouro desse mundo: o amor, o perdão e o abraço de seu pai. Seu coração finalmente estava em paz.
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Olá, pessoas lindas.
Demorei um pouco mais do que eu gostaria, era pro capítulo ter saído ontem, mas não consegui postar.
Aaah, esqueci de deixar uma coisa clara. Aqui o Augusto não depôs contra a Catarina, ela foi condenada pela guerra em si e não por tê-lo mantido preso.
E aí? Gostaram da reconciliação?
Não esqueçam da estrelinha do amor e de dizer o que estão achando da fic.
Beijos ❤❤❤
Ps: próximo capítulo teremos o primeiro embate entre Afonso e Catarina. A fada vai dar uma pisada básica na cara dele. Vou colocar um pouco daquela cena que ela o chamou de fraco e medíocre tal qual na novela e também outras coisas.
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Rise
Fiksi PenggemarO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
