Frustração. Essa era a palavra perfeita para definir o que Afonso e Catarina estavam sentindo após o fracasso que foi a reunião dos dois com o Conselho da Cália. Eles tentaram convencer os reis e rainhas da necessidade que Montemor e Artena tinham do empréstimo, mas nada os fazia mudar de ideia.
Catarina se sentiu ainda mais abalada com a recusa do empréstimo do que Afonso. Para ela conseguir o dinheiro era mais que algo para reerguer Artena, era também sua chance de se reerguer como rainha e, finalmente, retornar com seu povo a seu reino.
A recusa do empréstimo significava ficar mais tempo em Montemor e ficar mais tempo em Montemor significava ficar perto de Afonso e tudo que a rainha queria era voltar a seu reino e tentar devolver a paz a seu tão machucado coração.
Afonso, por sua vez, também não conseguia parar de pensar no que aconteceu e, apesar de saber que ficar se culpando de nada adiantaria, ele não conseguia não pensar que nada daquilo teria acontecido se não fossem suas péssimas escolhas. Ele remoeria aquilo até o fim de seus dias.
O rei pensava em Catarina, no quanto ela estava triste, pois sabia a importância daquele empréstimo para Artena e pensar nisso o fazia voltar a pensar em algo que sua mente não conseguia esquecer.
Afonso pensava em uma conversa com Gregório, nos conselhos que ele lhe dava sobre não desistir de Catarina, sobre lutar por ela e também não conseguia não pensar quando seu amigo e conselheiro lhe contou sobre as esperanças do povo de Artena e de Montemor de verem seus soberanos unidos em matrimônio uma outra vez.
Ele sabia que aquilo era uma loucura, um risco enorme e, sem contar, que Catarina podia rechaçá-lo com ainda mais força, mas seu coração não lhe deixava esquecer daquela possibilidade.
Pensando apenas como rei, ele sabia que a grande maioria dos casamentos entre nobres se davam por interesses políticos, financeiros, por extensão de territórios e por outros diversos motivos e uma possível nova união entre os dois seria a salvação de seus reinos, mas pensando também como homem ele sabia que seria o caminho mais difícil e árduo, mas também o levaria a reconquistar Catarina.
Seria realmente muita loucura ao menos cogitar tal hipótese? Como ele abordaria Catarina sobre o assunto? Temia sua reação e temia que ela se afastasse ainda mais e isso ele não queria. Afonso estava em uma batalha interna, um verdadeiro duelo entre seus sentimentos.
O rei de Montemor estava sozinho na biblioteca do castelo de Alfambres com um livro qualquer aberto a sua frente, mas a última coisa que ele conseguiria naquele momento era concentrar-se em qualquer outro assunto que não envolvesse Catarina. Ele estava tão distraído que nem percebeu quando a rainha Gertrudes e o rei Heitor adentraram o lugar.
A rainha ficou o observando e podia ver em seus olhos e em sua expressão o quanto ele estava confuso sobre tudo que estava acontecendo em sua vida, especialmente quando Catarina estava envolvida. Já o rei Heitor queria falar com Afonso sobre as razões que fizeram com que o Conselho não concordasse em conceder o empréstimo.
- Afonso. - Gertrudes falou e o rei os encarou e levantou-se indo até a direção deles. - Estava tão pensativo.
- Perdoem-me, majestades, estava tão distraído em meus pensamentos que não notei vossas presenças. - Ele disse e tentou forcar um sorriso. Os três foram em direção a mesa sentando-se.
- Parece bastante apreensivo depois do que aconteceu. - Gertrudes disse e Afonso assentiu. - Noto também que Catarina ficou abalada. Não saiu mais do quarto.
- Catarina e eu contávamos com o sucesso da reunião. Esperávamos que tudo tivesse dado certo, mas infelizmente não foi o que ocorreu. - Afonso disse frustrado.
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Rise
FanfictionO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
