Catarina corria pelos corredores do castelo completamente atordoada depois do que havia acontecido no jardim. Sua mente ainda parecia não acreditar naquilo, que Afonso realmente a beijou. Como eles haviam começado conversando sobre suas frustrações a respeito dos reinos e terminaram aos beijos?
Ela entrou feito um furacão em seus aposentos e foi até sua penteadeira pegando uma jarra de água e depositando o líquido em um copo. Seu rosto suava, seu peito subia e descia em busca de ar e suas mãos tremiam levemente. A rainha bebeu a água e aos poucos tentou se acalmar.
Sua mente estava em uma completa confusão dividida em pensamentos conflitantes. Porque Afonso fez aquilo? Ele estava sentindo algo mais por ela? Ou tudo não passava de mais uma tentativa de usar seus sentimentos contra si? Ao mesmo tempo que seu coração queria acreditar na primeira hipótese, sua razão queria acreditar na segunda.
- Porque ele fez isso? - Ela se questionava enquanto inconscientemente levava seus dedos aos lábios relembrando o que aconteceu. - Eu não vou permitir que Afonso brinque comigo novamente. Não vou. Se ele estiver pensando que vai brincar de novo com meus sentimentos e eu permitirei isso calada, está muito, mas muito enganado. - Ela falou sentindo raiva por achar que era mais uma tentativa de Afonso de brincar consigo.
No jardim, Afonso continuava olhando sua própria imagem refletida na fonte. Um turbilhão de pensamentos percorriam sua inquieta mente. Não conseguia esquecer o acontecido recente. Ele havia mesmo beijado Catarina.
O rei estaria mentindo se dissesse que se arrependia do que fez. Nem se vivesse por mais mil anos ele se arrependeria de tê-la beijado. Tinha plena consciência de que estava errado, pois apesar de não sentir mais nada além de gratidão por Amália, ainda estava noivo da ruiva, mas não iria mentir que não se arrependia de nada.
Ele não conseguia esconder o sorriso que de formava em seus lábios quando lembrava do beijo. Era uma sensação que não conseguia descrever. Foi um beijo intenso, tão intenso quanto Catarina e que lhe serviu para cessar as dúvidas em sua mente. As dúvidas viraram certezas, os questionamentos não existiam mais, ele definitivamente estava apaixonado por Catarina.
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Depois de tudo que aconteceu, Catarina relutou bastante antes de decidir sair ou não do quarto para o jantar costumeiro de todas as noites. Temia sua própria reação ao encarar Afonso novamente. Em sua mente nada diferente se passava além das lembranças do que ocorreu e da sensação indescritível de ter sido beijada por Afonso, a quem ela seguia nutrindo um amor profundo.
Ponderando ao máximo em seus passos, ela criou coragem para abrir a porta de seu quarto e se dirigir à sala de jantar. A cada passo dado até o lugar seu coração acelerava e suas mãos esfriavam.
Assim que chegou ao local ela respirou fundo e se fez presente na grande mesa, onde estavam Afonso, Gregório e Amália. Por mais infantil que aquilo fosse, Catarina não segurou o sorriso debochado ao olhar para a plebeia. Adoraria que ela soubesse do ocorrido e visse que talvez o rei já não a amasse tanto assim, mas preferiu se controlar.
- Boa noite a todos. - Ela disse e dirigiu-se a seu lugar na mesa, que para desgosto de Amália, era sempre ao lado direito do rei. - Peço perdão por minha demora. Estive um pouco indisposta. - Ela disse e Afonso a encarou, o que a fez desviar o olhar.
- Sente-se melhor agora, majestade? - Gregório a questionou, notando a estranha troca de olhares entre Afonso e Catarina, o que também não passou despercebido por Amália.
- Sim, Gregório, foi apenas cansaço da viagem de Artena para Montemor. - Catarina disse e sorriu, o que não convenceu o conselheiro, mas o mesmo apenas assentiu.
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Rise
FanfictionO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
