Capítulo 27 - Eu gosto de você

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Mais alguns dias se passaram e a reconstrução de Artena se seguia, mas Catarina precisava retornar à Montemor. Sua vida inteira estava lá praticamente. Ela já havia escrito uma breve carta para Afonso informando-o de seu retorno ao reino.

Ele a aguardava com certa ansiedade. A verdade era que sentia sua falta. Esses dias em que Catarina permaneceu longe fizeram o rei achar que a mulher sairia de seu pensamento, mas ele não parava de pensar nela. Queria saber se estava bem, como haviam sido esses dias e se perguntava também se ela sentia falta dele.

Afonso não entendia, ou fingia não entender, porque se importava tanto com Catarina. Ele sabia que não era só porque ainda queria seu perdão pelas acusações, era algo muito além disso. Aquela mulher causou uma verdadeira reviravolta em seus sentimentos. Ela, justo ela por quem ele achava que seria impossível nutrir algum tipo de sentimento, agora o fazia questionar-se sobre seus sentimentos por Amália.

Em Artena, Catarina se preparava para a viagem de volta a Montemor. Os trabalhos em prol da reconstrução do reino se seguiam, mas a rainha temia que o dinheiro da dívida paga de Castelotes com Artena não fosse suficiente. O que mais Catarina poderia fazer caso aquele dinheiro acabasse antes do esperado? Como ela daria continuidade aos trabalhos em seu reino?

Seria quase impossível pedir e conseguir um empréstimo com o Conselho da Cália sem uma boa garantia de devolução do dinheiro e isso era algo que começavam a lhe tirar o sono. Ela realmente pedia aos céus para não precisar chegar a cogitar essa possibilidade, mas sabia que poderia vir a precisar.

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Era começo de tarde quando a carruagem de Catarina chegou ao castelo de Montemor. Os criados carregavam suas malas para seus aposentos. A rainha estava totalmente esgotada mental e fisicamente. Precisava de um bom banho e de sua cama.

Esses dias distantes de Montemor também fizeram Catarina acreditar que esqueceria um pouco mais de Afonso, mas assim como o rei, ela também não o tirava da mente. Ela simplesmente odiava o fato de que quanto mais tentava não amá-lo mais seu coração entendia o oposto.

Ela teve seus pensamentos interrompidos quando viu Afonso aparecer na grande porta que dava acesso ao castelo. Ele precisava admitir ao menos para si que ficou feliz com a presença dela novamente em Montemor, gostava de sua presença.

A mulher virou-se de costas fingindo procurar qualquer coisa no interior da carruagem tentando não encará-lo, mas logo ele se fez presente ao seu lado e ela o olhou.

- Catarina. - Ele falou se aproximando aos poucos dela. - Como foi a viagem?

- Um tanto quanto cansativa, mas foi bem na medida do possível. - Ela respondeu e os dois caminharam juntos, lado a lado, para o interior do castelo. - Como estão indo as obras para a reabertura da mina?

- Seguem bem, felizmente. Creio que em pouco tempo os trabalhadores já podem retomar seus serviços. - Ele disse e ela assentiu. Eles seguiam caminhando, enquanto os criados os observavam e cochichavam entre si.

Desde a descoberta da inocência de Catarina, o povo passou a amá-la ainda mais e era possível ouvir boatos de que o rei de Montemor e a rainha de Artena estavam bastante próximos. Isso reacendeu em alguns a esperança de que os monarcas poderiam, quem sabe, um dia retomar o casamento.

Catarina e Afonso continuavam caminhando lado a lado em silêncio. Ela lembrava-se da época em que eram casados. Eles costumavam andar lado a lado pelo castelo fingindo que estava tudo bem. A rainha continuava fingindo para todos que eram um casal feliz naquela época.

- Isso parece a época em que estávamos casados. - Ela disse e ele foi pego de surpresa. Nunca antes ela havia iniciado qualquer conversa a respeito do curto casamento. - Ou melhor, da época em que tínhamos um acordo comercial. Vivíamos andando por aí um ao lado do outro fingindo ser um casal. - Ela disse e ele, mais uma vez sentiu um arrependimento dentro de si. Se hoje eles tinham aquela relação onde pareciam meros colegas, a culpa era dele. Catarina fez de tudo para se aproximar e ele sempre a rejeitou.

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