Tensão. Eis a palavra ideal para definir aquele momento entre os três presentes naquele jardim, que pareceu extremamente sufocante.
Amália encarava Afonso e Catarina ao mesmo tempo. Ela, em alguns segundos, estudou o olhar do rei, que parecia apenas surpreso com sua presença ali, mas em nada parecia ter arrependimento pelo que fez. Já Catarina, como sempre, mantinha-se impassível apenas aguardando para rir do próximo ataque histérico da plebeia.
- Vamos, Afonso, diga. Você teve a coragem de beijar Catarina? - Ela questionou desacreditada, olhando com raiva para a rainha de Artena, que preferiu se poupar do incômodo de dirigir seu olhar a ela.
- Sim, é verdade. Eu beijei Catarina. - Ele disse vendo a ruiva ficar com ainda mais raiva. Afonso preferiu colocar tudo em pratos limpos de uma vez só.
- Eu vou retornar aos meus aposentos, pois o ar aqui está irrespirável após certas presenças indesejáveis. - Catarina disse olhando diretamente para Amália, que ficou com ainda mais raiva e saiu. - Com licença.
Afonso ficou observando Catarina se retirar e pôde ouvir a voz de Amália.
- Então, Afonso, pode me explicar isso? Como teve a coragem de beijar Catarina? - Ela o questionou e ele a encarou.
- É verdade, eu não vou mentir. Tudo que ouviu é a mais pura verdade. Eu beijei Catarina e não irei mentir para você, Amália, não me arrependo de ter feito isso. - Ele disse.
- Como tem coragem de dizer isso na minha cara sem o mínimo de remorso? - Ela disse com raiva.
- Sei que não é fácil ouvir isso e entendo que esteja com raiva de mim, mas essa é a verdade por mais dolorosa que ela seja para você. - Ele disse. - Foi algo que simplesmente aconteceu. E antes que diga o contrário, a atitude foi tomada por mim. Fui eu quem tomei a iniciativa de beijá-la.
- Justo Catarina, Afonso, justo aquela mulher que fez de tudo para nos separar. Você dizia para quem quisesse escutar que jamais teria qualquer envolvimento com ela e agora me diz que a beijou? - A plebeia dizia indignada.
- Eu prefiro não mentir mais para você, Amália. Entendo que esteja com raiva e não lhe tiro a razão. Foi um impulso a atitude que tive, mas não vou dizer que me arrependo do que fiz porque seria uma mentira. - Ele disse e Amália respirou fundo. Os dois ficaram em silêncio.
- Afonso, você por acaso sente algo por Catarina? - Ela perguntou e ele ficou em silêncio. - Responde. Você sente alguma coisa por aquela mulher? Como pode sentir algo por alguém como Catarina?
- Nós não mandamos nos nossos sentimentos. - Ele disse e aquilo, para a ruiva, era resposta suficiente para sua pergunta. - Meus sentimentos mudaram muito após esse tempo em que ela está aqui, especialmente depois de sua sobrevivência a fogueira. Eu não vou mentir, não mais, meus sentimentos por você já não são mais os mesmos.
- Como tem coragem de dizer isso bem na minha cara, Afonso? Me diz como? - A ruiva começou a gritar e ele procurou relevar, pois sabia que ela estava com raiva.
- É a verdade, Amália. Não vou enganá-la dizendo que ainda a amo se essa não é a verdade. Meus sentimentos mudaram completamente por Catarina, o que também foi uma surpresa para mim mesmo. Nunca achei que pudesse um dia sentir algo por ela, mas sinto. - Ele disse e ela não conseguia acreditar.
Amália sentia os olhos arderem em lágrimas e o ódio percorrer suas veias. Ela estava mesmo perdendo Afonso justamente para Catarina? Justamente para a última pessoa na face da terra que ela imiginaria que ele pudesse nutrir algum sentimento? Essas eram as perguntas que sua mente se fazia.
- Você não tinha esse direito, Afonso, não tinha. E, o pior de tudo, justo com a cobra da Catarina. - Ela dizia com raiva.
- Amália, por favor, eu já expliquei tudo. Nós não mandamos em nossos sentimentos, não escolhemos por quem nosso coração irá bater. - Afonso falou.
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Rise
FanfictionO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
