E mais um dia amanhecia em Montemor. Afonso acordou com uma terrível dor de cabeça. Não devido ao vinho, nem da discussão com Amália, nem por ter deitado muito tarde, mas sim por mal ter conseguido dormir.
Ele, naquela noite, se viu vítima da própria mente que parecia ter feito questão de lhe tirar a paz. O homem simplesmente não parava de remoer a culpa que se apossou dele pelas várias acusações contra Catarina, além da culpa por tê-la feito sofrer.
Jamais devia tê-la machucado tanto naquele curto casamento. Não deu a ela a chance de se aproximar dele, a rejeitava como se ela tivesse uma doença, usou dos sentimentos dela contra ela mesma e, por fim, a acusou tantas e tantas vezes.
Era fato que o plano de Otávio contra Catarina foi perfeito. Ele fez tudo para que a culpa recaísse contra ela, mas mesmo assim, ele deveria ter investigado mais a fundo e devia ter permitido a Catarina se explicar.
Afonso levantou da cama e sentiu como se mil pedras estivessem amarradas a seu corpo. Naquela noite ele havia dormido longe de Amália, o que, pela primeira vez fez ele sentir menos a sensação de sufoco que sentia quando ela o enchia de ordens.
Ele saiu do quarto de hóspedes, que fora o primeiro que entrou na noite passada e foi rumo aos aposentos que dividia com a ruiva. Os criados lhe reverenciavam nos corredores estranhando o estado do rei. Ele estava com uma expressão cansada, seus cabelos desgrenhados e ainda usava a roupa de dormir.
Antes de entrar em seus aposentos, ele olhou para a porta do quarto de Catarina se perguntando se ela já estaria de pé ou se ainda dormia. Precisava encará-la, ter um momento a sós com a princesa após aquela noite.
Ele girou a maçaneta e olhou para dentro do quarto e se sentiu aliviado por não ver Amália nele, mas pouco fora seu alívio, pois logo a ruiva adentrou o cômodo e se aproximou dele.
- Meu amor, sobre ontem a noite eu quero pedir perdão se te aborreci. - Ela disse e ele virou de frente para encará-la.
- Está tudo bem. - Ele disse.
- Você não percebe o quanto Catarina faz mal para a nossa vida? Ela parece uma sombra a nos perseguir, nunca nos deixa em paz. - Ela disse e Afonso não podia acreditar no que ouvira. Ele sabia onde essa conversa iria terminar. Mais uma vez a ruiva iria lhe pedir para fazer o que ele estava mais que decidido em não fazer: mandar Catarina para longe.
- A presença de Catarina nesse castelo em nada vem interferindo na vida de ninguém. Ela não está fazendo nada para atrapalhar nossa convivência. - Ele disse afastando-se dela.
- Mas ela irá. Você ouviu o que ela disse ontem, Afonso. Ela irá persuadir os nobres a não aceitarem nossa união. - A ruiva disse se aproximando dele mais uma vez.
- O Conselho da Cália não precisa que Catarina tente atrapalhar esse casamento. Eles já desaprovam tudo isso por conta própria. - Afonso falou.
- E você, pelo visto, não parece se importar nem um pouco com isso. - Ela disse séria cruzando os braços. - Antes você parecia bem decidido em afastar Catarina de nossas vidas, mas agora parece querê-la por perto.
- As coisas mudaram, Amália. - Ele disse a encarando. - Tudo mudou. Agora Catarina, com a ajuda de Selena, provou que é inocente, que não foi ela a causadora da explosão da mina. Eu não posso e não vou afastar Catarina de mim. - Ele disse sem notar suas últimas palavras, mas aquilo não passou despercebido por Amália.
- Não pode e não vai afastar Catarina de você, Afonso? Foi isso mesmo que eu ouvi? - Ela questionou desacreditada.
- Foi apenas um modo de dizer. - Ele disse nervoso e impaciente com aquela discussão logo nos primeiros momentos da manhã, que era tudo que ele menos precisava para começar o dia. - Quis dizer que não posso afastar Catarina de Montemor sem um motivo plausível para isso. Ela não vem fazendo nada contra ninguém e eu não vou tirá-la daqui. - Ele disse com firmeza.
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Rise
Fiksi PenggemarO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
