Dias depois
Alguns dias após a coroação de Catarina, a nova rainha já podia sentir o peso da coroa recair não só sob sua cabeça, mas também sob seus ombros. Sua mente estava completamente cheia. Muitas ideias, muitos planos, muitos medos e muitos desejos.
Ela já tinha alguns planos imediatos para finalmente dar início a reconstrução de Artena. Precisava mandar limpar os destroços do que um dia fora seu reino. Sentia seu coração apertar a cada minuto que se passava, pois ela, depois de tanto tempo, estaria colocando os pés em Artena de novo.
Ela já havia recebido uma boa parte do dinheiro da dívida de Castelotes com Artena. Aquela renegociação veio em ótimo momento, pois assim ela poderia dar início a concretização de seus planos.
Catarina também evitava Afonso ao máximo desde o baile de sua coroação, mas a vida não parecia querer colaborar com ela, pois quanto mais ela tentava o evitar mais os dois se cruzavam nos corredores do castelo.
A rainha sentia o olhar do homem sob ela, atitude que diga-se de passagem, a mulher percebia há tempos, mas que buscava ignorar, pois não queria deixar seu tolo coração falar mais alto e continuar criando falsas esperanças. Tudo que ela menos precisava no momento era se tornar uma menininha apaixonada novamente.
Afonso, por sua vez, seguia pensando nela e, como sempre, remoendo a culpa que sentia em sua cabeça. Ele tentava se aproximar de Catarina, mas todas as vezes que tentava, a bela rainha arrumava uma forma de fugir.
Com isso ele se sentia ainda mais culpado e arrependido por tê-la machucado tanto durante o casamento. A cada rejeição de Catarina às suas tentativas de aproximação ele só conseguia pensar no quanto a vida poderia ser irônica. Um dia quem fugia era ele, mas hoje o contrário acontecia.
Seus sentimentos por ela mudaram totalmente. Tudo iniciou-se quando ele ainda tinha plena certeza de que Catarina fora a mandante da explosão da mina e, assim, ele queria ver seus passos de perto por temer que ela tentasse algo contra seu reino.
Porém, nesse processo, Afonso não contava com uma pequena surpresa do destino. Ele não imaginou que seus sentimentos virariam uma grande bagunça, que aquela mulher poderia o instigar tanto a querer descobrir mais e mais a respeito dela.
Mas muito mais que isso. Afonso não imaginava que ela, justo ela, seria a responsável por fazê-lo questionar todo aquele amor arrebatador que ele gritava aos quatro cantos que sentia por Amália.
Sentia.
Agora, ao contrário de antes, quem tomava sua mente, quem fazia seu coração por alguma razão acelerar, não era a ruiva, mas sim a destemida e forte rainha. Ele admirava sua força, seu ímpeto de lutar por aquilo que almejava, o fato de que estava disposta a pagar que preço fosse para ter aquilo que desejava.
Aquelas características dela, enquanto foram casados, o assustavam, mas o assustavam porque no fundo ele queria ter toda a bravura dela, porém hoje eram algo que o fazia querer estar cada vez mais perto de Catarina.
A verdade que Afonso nunca quis admitir era de que Catarina já havia plantado sementes no coração dele e que essas sementes logo virariam uma linda e forte árvore, mas que ele sempre dava um jeito de cortar essas raízes que cresciam por medo de que logo essa árvore ocupasse todo o espaço que via pela frente.
Ele achava que essas sementes estavam mortas, que nunca mais cresceriam, mas o que Afonso não esperava era que Catarina havia deixado muitas delas espalhadas e que não adiantava ele lutar contra: ela era como uma força da natureza, jamais seria contida.
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Catarina preparava-se para partir em direção a Artena. Ela estava absurdamente nervosa. Temia sua própria reação quando lá estivesse, temia querer fugir e jogar tudo para o alto, temia não ter forças para reparar seus erros e não ser boa o suficiente para seu povo, mas ela não tinha tempo para pensar nisso, precisava encarar a dura realidade que viria a sua frente.
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Rise
FanfictionO fogo se aproximava cada vez mais dos pés de Catarina e ela ficou completamente desesperada tentando em vão se afastar. Ela começava a fazer força para tentar se soltar daquelas amarras, mas elas nem se moviam. Suas lágrimas aumentaram, sua respira...
