Prólogo (Seth)

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Eu sempre soube que es­­­tava marcado para algo diferente. ­Desde menino.

Era uma sensação crescente, quase como uma antecipação. A cada dia ficava mais forte. Havia dias que eu sentia como se eu estivesse cumprindo um número de horas antes que pudesse chegar ao meu destino real, como se a qualquer momento alguém fosse abrir a porta da minha sala de aula e dizer: "Muito bem, Seth, agora vamos começar o trabalho de verdade".

Esse suspense em meu peito piorou quando cheguei a adolescência. Por isso resolvi buscar uma explicação, um propósito. Por um tempo, acreditei que minha vocação era ser médico, salvar vidas. Mas a sensação ainda estava ali presente. E se acentuava sempre que eu escutava as lendas da tribo.

Então me tornei um lobisomem. E tudo fez sentido.

Mas ainda não era completo.

Foi quando Anna surgiu na minha vida.

Foi como se eu estivesse cego durante toda a minha existência e finalmente visse a luz. Anna apareceu como um meteoro incandescente incendiando tudo e bastou apenas um olhar, um único olhar, para que eu fosse rendido. Entreguei meu coração e todo o restante sem hesitar. Eu sabia que ela enxergava o imprinting com outros olhos, mas em contrapartida eu não via nada além de mais uma comprovação de que o Criador nos moldara para pertencer um ao outro – de que não importava as circunstâncias, eu era dela tanto quanto ela era minha.

Claro que fazê-la reconhecer isso, conquistá-la para mim, não foi a coisa mais fácil do mundo. No entanto aceitei o desafio como igual.

Mal eu sabia que não era esse o desafio verdadeiro.

Estrela da TardeOnde histórias criam vida. Descubra agora