Desde que me entendo por gente, sempre me orgulhei da minha rapidez de raciocínio. Eram raras as ocasiões que meu cérebro me deixava na mão, e quando acontecia, em geral eu conseguia me sobressair com uma frase espirituosa ou ao menos sem fazer papel de idiota. Infelizmente, aquele não foi um desses casos. Fiquei um minuto inteiro com o queixo caído, e teria sido bastante vergonhoso se metade dos presentes não estivesse em condição semelhante.
Em seguida, quase como forma de indenização por esse período de lapso cerebral, minha memória trouxe à superfície uma torrente de todos os dados que eu tinha sobre Teresa McAllister.
Seu sangue era quileute pelos dois lados da família, assim como eu. Seu avô materno era o Velho Quil, o que fazia dela uma das muitas primas de Quil. Seu pai fez fortuna com a indústria madeireira no sul, e como filha única, ela era herdeira de um dos maiores patrimônios de todo o condado. Isso não a impediu de ser presa por desacato à autoridade em algum protesto sobre diretos ambientais, muito menos de ser trancafiada em um reformatório para jovens ricos infratores, da qual foi expulsa dois meses depois – e ninguém soube o motivo. Retornou a La Push com a prerrogativa de filha pródiga, mas indo muito além do estilo incomum e das atitudes pouco convencionais, sua presença despertou o olhar minucioso do Conselho – enxergavam nela a magia. Conjecturaram que talvez, em um futuro próximo, não houvesse apenas uma loba fazendo parte do bando.
Parado ali, onde os únicos sons eram o crepitar do fogo e o bater das asas dos corvos, vendo-a cercada de animais selvagens, percebi que eles não faziam ideia do que era essa magia. Era algo muito ancestral, muito anterior ao nosso tempo para podermos adivinhar com exatidão. A expressão arredia de Sam no meu quarto finalmente fez sentido.
Diante da realidade, a resposta era óbvia.
A garota era uma guerreira-espírito, feito o primeiro grande Chefe Espírito Kaheleha e seus descendentes. Uma magia proibida por segurança, que se perdeu com o passar dos séculos.
Ao que tudo apontava, não havia se perdido totalmente.
— Ninguém vai me cumprimentar mesmo? – Teresa colocou as mãos na cintura e abriu um sorriso cínico. – Por que estão com essa cara de enterro? Ninguém morreu. – Deu de ombros. – Isto é, ainda.
Anna foi a primeira a se mover; atravessou o círculo e se colocou entre mim e a garota sem um pingo de hesitação. Sua expressão não delatava surpresa, como eu esperava – e sim um reconhecimento irritadiço.
— Você é uma spiritae. Eu devia ter desconfiado.
— Sabe o que ela é? – Edward esganiçou.
Ela assentiu com um movimento duro da cabeça.
— Conheci uma assim, em Creta.
Teresa estreitou os olhos, largando a postura presunçosa. Os corvos que nos sobrevoavam se empoleiraram nas árvores que margeavam o terreno dos Black e um dos lobos rosnou para Anna. Ela nem mesmo pestanejou.
— Eu lhe garanto, Anna Masen, não existe ninguém como eu. – E cruzou os braços. – Então você é a famosa meia-vampira que tem mais poderes que eu. Confesso que estou me sentindo um pouco enciumada.
Minha sobrancelha formou um arco com o sobressalto. Teresa estava obviamente mais bem informada acerca da tribo e dos Cullen do que podíamos sequer supor. Uma coisa boa, ao meu ponto de vista – não seria necessário gastar tempo em explicações.
Entretanto, ainda não explicava o aparecimento dramático dela na reunião do Conselho.
— O que veio fazer aqui? – interroguei, já que ainda era um dos poucos a demonstrar alguma capacidade de fala.
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Estrela da Tarde
FanficAnneliese Masen está longe de se considerar uma vampira sortuda. Ao longo de sua existência, ela já ficou sem família duas vezes, já perdeu seu grande amor e se vê prisioneira de um poder inconstante que desperta a cobiça de inimigos poderosos. Enq...
