Epílogo (Anna)

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Seth girou sobre mim, apertando-me contra o tapete de flores multicoloridas da clareira. Gemi baixinho em aprovação e mordi o lábio para reprimir um sorriso obsceno; havia poucas coisas mais excitantes que sentir o peso dele sobre meu corpo, em especial quando cada centímetro de pele ardia em contato com a minha. Rendida pelos próprios instintos, desci com as unhas pela superfície nua das suas costas largas, o que despertou no peito dele um som grave e profundo. Seus músculos se contraíram, ficando mais tensos enquanto ele lutava para parar de me beijar, apoiando nossas testas uma na outra.

— Não faça isso comigo – pediu em tom de súplica ao que meus dedos voavam para o botão da sua bermuda, embora ele não fizesse qualquer esforço real para me empatar de abri-lo. – Já estamos atrasados.

Meu sorriso foi de quem já sabia que estava com a vitória nas mãos:

— Como se eu me importasse.

— Mas você é a aniversariante – Seth protestou uma última vez, muito debilmente. Seus dedos astutos subiam pela minha cintura, empurrando a camiseta para cima e suscitando em mim um arrepio delicioso de expectativa. Com ele me tocando daquela forma, o pensamento de passar a noite toda ali com outro tipo de comemoração e simplesmente fingir demência a respeito da festa era cada vez mais tentador.

— Por isso mesmo. É meu aniversário, posso fazer o que eu quiser. – No segundo em que percebi que ele pretendia objetar, resolvi mudar de tática, afinal, um mero atraso era melhor do que não dar as caras. – Além do mais, o que seria da minha festa de aniversário sem uma entrada triunfal?

Seth abriu os olhos e me fitou, sério. Com um movimento rápido, ele prendeu meus pulsos no alto da cabeça para me impedir de despi-lo – se a intenção dele era me desestimular, o plano falhou complemente, porque a posição em que ficamos só me fez querê-lo ainda mais. Fiquei insatisfeita por constatar que ele não estava tão seduzido pelas circunstâncias quanto eu gostaria.

— Alice vai nos matar – lembrou-me e o tom categórico deixou evidente que ele não se permitiria ser ludibriado.

No final, acabei desistindo; não por conta do aviso, mas sim porque havia alguns corvos empoleirados nas árvores próximas, e o modo fixo com que seus olhos nos encaravam denotava que Alice não era a única à nossa espera. Seth rolou para o lado para sair de cima de mim e eu me sentei, sacudindo o cabelo para me livrar das pétalas e gavinhas que haviam se agarrado aos fios. Não devia ter tantas flores naquela clareira assim. Era fim de outubro, metade do outono; a vegetação já devia ter secado, mas eu havia descoberto com o passar do tempo que tinha um talento especial com as plantas – que meu poder sobre a terra não se resumia em somente atirar pedras e brincar com a poeira. Quase como se concordando comigo, um ramo de lavanda encostado em meu pulso desabrochou, exalando um perfume adocicado que fiz questão de me curvar para sentir de perto.

Assim que se colocou de pé, Seth estendeu a mão para me ajudar a levantar também; ele me puxou direto para seu abraço, procurando minha boca para um beijo e eu senti em seus lábios um juramento silencioso de que terminaríamos o que começamos ali em outro momento, muito provavelmente depois que a festa terminasse. Correspondi ao beijo com voracidade, dizendo a ele do meu jeito – com mordidas atrevidas no lábio inferior e arranhões nos ombros – que eu não era a mais paciente das criaturas, e só me dei conta do quão familiar era aquela cena toda quando Seth se afastou, sendo iluminado pelos raios de Sol remanescentes que se escapavam dentre as frestas das árvores.

Suspirei e sorri feito boba no que a imagem se pintou por inteiro na minha memória, baixando então os olhos para o jeans e a camiseta do Metallica que eu estava usando. Será que foi realmente inconsciente a forma como eu os escolhera antes de sair de casa naquela manhã?

Estrela da TardeOnde histórias criam vida. Descubra agora