T R E V O R A I K E N
Estamos no carro indo em direção a casa de Scarlett para ela arrumar suas malas para irmos a Chicago. Depois de tudo que Matt disse, ela parece estar mais aliviada e eu fico extremamente feliz por tudo isso, pois agora, tudo nela parece mais leve como se ela tivesse tirado um enorme peso das suas costas.
Como se agora ela se permitisse a viver totalmente, parece bobagem eu pensar tudo isso após mais ou menos, trinta minutos do acontecimento, mas realmente consigo perceber isso nela. Enquanto ela canta a música aleatória que toca na rádio e balança seus pés delicadamente percebo o quanto ela está leve. Nunca pensei que ficaria tão feliz com algo tão simples, mas aconteceu e é uma das melhores sensações do mundo.
Quando chegamos em frente a sua casa ela vira o rosto e me encara por alguns minutos e sorri, se aproxima e deposita um selinho rápido em meu lábios.
- Obrigado por ter ido lá comigo, foi muito importante para mim - ela diz, com a mão em meu rosto.
- Tudo por você, querida - digo, com um sorriso no rosto.
- Então, vamos nos ver amanhã? - ela pergunta e concordo com a cabeça, ela se despede com um selinho rápido e sai do carro. Espero ela entrar em casa para ir embora.
Coloco o som do carro no último volume com uma música qualquer que está tocando no rádio, bato os dedos no volante no ritmo da música. Como meu apartamento não é muito longe da casa de Scar, chego rapidinho.
Entro pelo hall de entrada e não vejo o porteiro ali, o que é algo muito estranho pois ele sempre está ali. Subo pelo elevador e escuto algumas vozes praticamente gritando quando me aproximo do meu andar, quando saio do elevador vejo o porteiro tentando manter a paciência com um casal que está ali. Me aproximo para abrir a porta do meu apartamento e o porteiro me olha desesperado.
- Senhor Aiken, esse casal está dizendo que tem o direito de entrar em seu apartamento porque alegam ser seus pais - ele diz, rapidamente.
Quando escuto isso simplesmente fico paralisado, o casal se vira para eu e me encaram. Meu pai é como eu só que sem as tatuagens e minha mãe é baixa com os cabelos castanhos claros e os olhos verdes.
São eles, depois de tanto tempo.
Depois de me abandonarem por acreditarem em Katherine.
Depois de dizerem que eu era um monstro.
Depois de dizerem que eu era o desgosto deles.
Depois de dizerem que preferiam nunca terem tido filhos.
Depois de dizerem que preferiam estar mortos do que ter que olhar para minha cara.
Depois de tudo…
- O que vocês estão fazendo aqui? - pergunto, grosseiramente enquanto tento me acalmar.
- Filho, nós só queremos… - meu pai diz, e o interrompo.
- Filho? - solto uma gargalhada forçada. - Fala sério, depois de tudo. Achei que nem me consideravam mais como filho - digo, com arrogância.
- Por favor, Trevor. Só queremos conversar - diz, minha mãe.
- Vocês tem dez minutos, nada além disso - digo, e me aproximo para abrir a porta. - Obrigado, agora já pode ir - digo ao porteiro que some o mais rápido possível.
Eles entram junto comigo e aponto para o sofá, eles se sentam e eu me sento na poltrona ao lado.
- Então, qual vai ser a desculpa? - pergunto, debochando enquanto encaro a parede.
- Trevor, - começa minha mãe - queremos nos desculpar por termos te abandonado, você não merecia aquilo e nós sabemos que foi uma injustiça enorme por não acreditarmos em você - meu pai pega em sua mão e começa a falar.
- Nós sabemos que ela não estava grávida e que você nunca mandaria ela abortar, e claro que sabemos que ela matou seu irmão - ele diz.
- Por que isso importa agora? Me digam, vocês me abandonaram, preferiram acreditar numa desgraçada que manipulou vocês do que acreditar no próprio filho. Vocês acham que eu fiquei como? Eu fiquei destruído, se não fosse pelo Josh, eu provavelmente estaria a sete palmos do chão agora - digo, tentando não me descontrolar enquanto minha mãe me olha assustada.
- Trevor, eu não… - ela tenta dizer, mas a interrompo.
- Eu não acabei. Eu me tonei uma pessoa que fazia joguinhos com as outras porque pensei que ninguém nunca poderia me amar de verdade, porque vocês destruíram o único pingo de empatia que existia em mim. Eu não me importava se às pessoas iam sair machucadas ou não, eu não me importava com absolutamente nada, e pra que iria me importar se as únicas pessoas que deveriam me amar incondicionalmente me abandonaram, me digam? Eu fui um mostro desde o dia que vocês me deixaram, mas estou tentando melhorar porque às outras pessoas não têm culpa nenhuma pelo o que vocês fizeram comigo, e principalmente a Scar não merece ter um mostro do lado dela - falo tudo tão rapidamente que falta ar.
- Nós sentimos muito, por isso estamos aqui para tentar consertar tudo isso - meu pai, diz.
- Não tem o que consertar, vocês já fizeram e não imaginam o quanto me destruiu - quase sussurro.
- Nós sabemos, mas o que você acha de irmos com calma? Uma segunda chance? - ela diz, com uma voz dócil.
- Eu não sei, vocês podem me abandonar novamente, me largar como um cachorro novamente - digo, encarando a parede.
- Não faremos isso, nós prometemos. Podemos ir com calma, no seu tempo e sem pressão alguma - diz, meu pai, eles se levantam e minha mãe tira um papel do bolso do seu casaco com um número.
- Esse é meu telefone, se você quiser nos dar uma segunda chance, me liga para tomarmos um café, podemos conversar sobre tudo isso e você pode contar para nós sobre essa moça - ela diz, docilmente deixando o papel em cima da mesa.
- Pense bem nisso - diz meu pai. E eles se dirigem a porta, saindo logo em seguida.
Continuo sentado na poltrona olhando para a parede sem mexer nenhum músculo, não consigo acreditar que eles me acharam e vieram atrás de mim depois de tudo. Eu simplesmente não acredito, me sinto perdido, como se nada fizesse sentido, sinto como se eu fosse explodir. Minha respiração está acelerada e a única coisa que consigo pensar, é na Scar.
Me levanto rapidamente e saio do apartamento, desço as escadas para ir mais rápido, abro o carro e dirijo até a casa de Scar.
Eu preciso dela agora, é a única coisa que eu preciso.
Chego em sua casa o mais rápido que consigo, desço do carro quase correndo e bato na porta o mais rápido e forte possível.
- Estou indo - escuto sua voz de longe e escuto ela descendo as escadas rapidamente.
- Sim? - diz, enquanto abrindo a porta. - Trevor? O que houve? - ela pergunta, preocupada, enquanto me encara.
Eu abraço ela o mais forte possível e sinto ela entrelaçar seus braços em minha cintura, me sinto um pouco melhor, mas as lágrimas escorrem pelo meu rosto rapidamente.
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Honey, We're broken (FINALIZADO)
RomanceOBRA FINALIZADA! Sinopse: Toda ação tem sua reação, todo ato tem sua consequência e toda dor tem seu motivo. A ação foi eu ter ido até você aquela noite no bar e a reação foi você ter revidado. O ato de ter te provocado veio com a consequência de vo...
