Entre gargalhadas e vídeos humilhantes que resultaram de música no telemóvel, muita erva no sistema e boa companhia, o pôr do sol era o centro das nossas atenções.Escondia-se lentamente no horizonte, sendo captado várias vezes pelo telemóvel de Ester. A rapariga, abraçada por Samuel, parecia mesmo feliz naquele momento. Os seus olhos a brilhar e o sorriso permanente no rosto.
Gostava de ver que os meus amigos estavam bem, felizes. Uns mais crescidos que outros, no entanto, a começar uma vida adulta.
Principalmente o Nano, que esperava um bebé dentro de cinco meses, pouco mais.
E tirando o Christian, que continuava sem saber o que queria fazer da vida. Porém, algum dia vai acabar por encontrar no que precisa, no que será o seu plano de vida. Tudo a seu tempo e no tempo adequado.
Começamos a ouvir algumas vozes, o que nos levou a olhar para a zona das escadas. A chegar ao final dos degraus, Omar.
E sabia exatamente quem o acompanhava.
Presa nos olhos de Ander, que rapidamente se perdeu igualmente em mim, receava que algum cedesse a provocações. Porém, fiquei confusa, o Christian nem se pronunciou.
Os quatro rapazes encostaram-se a um dos cantos e fizeram o mesmo que nós. Conversas e fumos ou bebidas alcoólicas.
Senti-me um pouco pesada, era impossível não reagir á presença do Ander.
Apenas a uns passos de mim.
Porém, Nano captou as minhas atenções, ao abanar a mão á minha frente. Reparei que não tinha ouvido nada do que tinham dito.
- Perdemos a Eileen para o betinho. - O Nano, sorridente, comentou.
- E que bem perdida que está!
Ester ajudou-o, mas sem provocações. Samuel, deixou de a abraçar e ela esticou-lhe o dedo, ao aproximar-se mais de mim. Naquele momento, esperavam uma conversa entre raparigas, que a Ester pretendia querer ter.
E não demorou muito a questionar-me sobre a tensão que sentia entre mim e o Ander, que era maior que a dele com o Chris.
Acabei por me rir.
- Somos amigos. Próximos. - Apenas lhes disse, sem querer adiantar pormenores.
- Só isso?
- Sim, só isso. Agora parem com os filmes. - Ela levantou as mãos, rendendo-se. - E Chris, deixa as coisas onde elas estão. No passado. - Olhei o meu primo, para que entendesse.
Facilmente percebeu ao que me referia. Tal como os seus amigos e a Ester. Foi duro, mas já tinham passado dois anos.
Estava na altura de andar para a frente.
Após uns minutos, o silêncio era tudo o que se ouvia das nossas bocas.
Estávamos bastante relaxado, depois de tudo o que fumamos e das brincadeiras. Olhava para o meu telemóvel, reparando que estava quase na hora de ir para casa.
Acabei por me levantar e por me dirigir ao grupo de amigos do Ander. Estiquei a mão em direção ao moreno.
Os olhares caíram em nós.
No entanto, ele entrelaçou a mão á minha e levantou-se. Levei-o até ás escadas, subimos os primeiros degraus para que ninguém visse. Ao virar-me para ele, as suas mãos desceram para a minha cintura.
- Corajosa.
- Fingir que não te conheço não vai acontecer, o Christian vai aceitar.
Estiquei os lábios e fechei os olhos.
O rapaz correspondeu exatamente ao que pedia. Arrastei as mãos para o quente do bolso da sua sweatshirt, mantendo-me na ponta dos pés para beijocar os lábios dele.
Ander encostou as minhas costas á parede, intensificando os beijos. Apertou a minha anca e mordiscou os meus lábios.
- Preciso de ir para casa.
Sussurrei contra os lábios dele, presa no olhos caramelos brilhantes do rapaz.
- Queres que te leve?
- Não, vou convidar os rapazes para jantarem lá em casa. - Afastei-me um pouco dele. - Volta para junto dos teus amigos.
Mostrou-me um sorriso leve, deixando-me um beijo igualmente leve nos lábios.
Fiz sinal aos rapazes, pois precisava de ir para casa ou o meu pai deserdava-me com as saídas constantes e a falta de tempo em casa. Nenhum se pronunciou sobre Ander.
Apenas caminhei entre eles, tal como Ester.
- Querem jantar lá em casa? - Murmurei, sendo a atenção de todos no carro.
Os rapazes aceitaram facilmente e a Ester concordou ao perceber que não havia escolha, o que foi engraçado.
Mandei mensagem ao meu pai a avisar para colocar mais quatro pratos na mesa. Sabia que ia ser uma boa surpresa para ele e que a minha irmã ia adorar a casa cheia.
pipsmunoz
🖤
- Já me podes dizer a verdade em relação ao Ander? Só o burro do teu primo é que não vê o quanto gostas dele.
- Ele vê, só não quer aceitar.
Arqueou a sobrancelha, vitoriosa.
- Ele faz-me tão bem. - Acabei por admitir, pois faltava-me uma rapariga na vida.
- Logo vi! Nem acredito que o Ander está mesmo apaixonado ao fim de três anos! Nunca o vi namorar no colégio, Eileen. Nem mesmo a assumir algo com alguém. Enquanto nós todas as semanas era um drama novo.
Acabou por soltar uma gargalhada.
- Também não exageres. Ele não está apaixonado por mim. Só estamos próximos e a proximidade resulta muito bem.
Acabei por sorrir, mostrando-me animada.
- É verdade que tinha um caso ou outro nas festas e assim, mas nada sério. Acredita. Vocês são fofos, gostei de te ver a ires buscá-lo diante dos rapazes e dos amigos dele.
- Como lhe disse, não vou ignorar uma pessoa que gosto, porque o meu primo não aceita. Ele é que sabe. - Expliquei.
- Dá-lhe tempo, ele vai acalmar.
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BALANCE ➛ ARON PIPER
Teen Fiction'O frio da tua alma, apagou a chama que há em nós'