• Romance ficcional •
Um reencontro entre ex namorados regado à paixão e desejo. Ariadne sempre quis ser independente. Após o sonho em cursar medicina ir por água abaixo, se tornar uma farmacêutica lhe parece uma boa opção para iniciar uma carreira...
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Abro os olhos e a claridade causa um ardor insuportável em meus orbes. Fecho os olhos novamente tentando lidar com uma dor aguda. Concentro-me no incômodo concentrado em minhas costelas - e no resto do corpo - antes encobrido pelos analgésicos. Era como se houvessem enfiado milhares de pontas de facas de serra em minha pele. Tentei abrir a boca para chamar alguém.
Nada saía.
- ... é a quinta vez que realizo esse protocolo. – Ouço a voz impaciente de uma mulher atrás da porta – Eu sou a enfermeira chefe e responsável por ela, oras!! – A porta se abre em um rompante e uma senhora vestida com uma roupa hospitalar cinza escura se assusta ao me ver acordada. Fui salva por um anjo vindo dos céus de meia-idade, que se aproximava com um rosto amigável embora suas bolsas embaixo dos olhos evidenciassem seu cansaço.
- Mil perdões por acordá-la senhora Ariadne. – Ela suspira em desgosto enquanto coloca uma bandeja com medicamentos, soros e gazes sobre a mesa recostada em minha maca – que ao olhar para ela percebo conter um vaso de vidro contendo orquídeas brancas. Vejo um papel de bordas grossas escorado no vaso de vidro contendo as belas flores e meu fraco coração erra algumas batidas. – Após a sua chegada, uma serie de seguranças armados revezam os postos na porta de seu quarto – a enfermeira faz uma breve pausa e nega com a cabeça - e isso atrapalha a eficiência do meu trabalho.
Apenas abro levemente os lábios e aponto para o copo de água sobre a bandeja exposta. Ela entendeu o meu sinal.
- Imaginei que pudesse ter sede. – Aproxima o copo de plástico até o meu rosto – Você vai sentir um leve ardor, é normal. Beba devagar.
De fato, era como estar bebendo soda cáustica. Sinto o líquido rasgar a minha garganta abrindo caminho para o próximo gole – se eu conseguisse engolir novamente. Respiro fundo, pigarreio para poder responde-la, porém, a voz sai mais grossa e rouca que o normal.
- Eu compreendo totalmente, senhora? – Faço uma leve entonação procurando saber o nome daquela adorável mulher.
- Hélie. – Ela ajusta um líquido amarelado em uma seringa e aplica em meu acesso venoso. – Não se preocupe, é apenas um coquetel de vitaminas injetável, você está com uma leve anemia, mas os detalhes sobre o seu quadro ficam a encargo do doutor Jorge. – Ela pisca para mim e volta-se para a bandeja novamente.
- Um homem jovem e muito bonito esteve aqui pela madrugada, ele parecia tão preocupado... – Uma fina linha de pena e preocupação se forma em sua testa e prefiro manter o silencio. Queria poupar o esforço de dizer que não possuía nenhum namorado.
Eu odiava ficar em hospitais – como paciente, é claro. A comida é péssima e sem sabor, minhas costas reclamavam por estar por um longo tempo sob um colchão desconhecido e fino. Sem contar a falta que me fazia um banho quente e decente sem me preocupar com a agulha posicionada em meu pulso. Olho para o vaso florido ao meu lado em completo tédio e observo o papel branco fosco ao lado. Meu coração não descarta a possibilidade de terem sido enviadas por ele, e sinto minhas mãos começam a suar. Não era a cara de Afonso dar flores para alguém, talvez eu não o conhecesse o suficiente, mas algo me dizia que sua personalidade única não pensaria naquele presente como primeira opção.