• Romance ficcional •
Um reencontro entre ex namorados regado à paixão e desejo. Ariadne sempre quis ser independente. Após o sonho em cursar medicina ir por água abaixo, se tornar uma farmacêutica lhe parece uma boa opção para iniciar uma carreira...
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"que você tenha a sorte de encontrar um coração que suporte a sua imensidão."
Li esse textinho perdido no Instagram enquanto rolava a timeline sem rumo. Bateu fundo. Sempre quis ser independente, passar no concurso da Polícia Federal, sair da casa dos meus pais. Mas nem tudo são flores — e esse sonho parece cada vez mais distante.
Estava imersa nesses pensamentos de futuro quando ouvi a voz da minha mãe me puxando de volta:
— Como foi a visita na casa da Rafa? O que vocês fizeram?
— Foi tranquila, mãe. A gente viu filmes e pediu pizza.
Ela assentiu, mas logo veio com outra pergunta que me pegou de surpresa:
— Não entendi por que você comprou a caneca da atlética, Ariadne. Vai colocar o quê dentro dela?
Travei por dez segundos, sem saber o que responder.
— Mãe... posso até beber água nela.
— Espero que seja só água mesmo.
O tom dela me sufocou. Fugi dali o mais rápido possível e me tranquei no quarto. Peguei o celular e vi uma notificação da própria Rafa — ironia do destino — dizendo que estava curtindo muito a estadia na casa dos pais, em outro estado. Ou seja: o meu álibi nem existia. Suspirei e, inevitavelmente, lembrei das mãos de Nicolas em mim, da barba arranhando meu pescoço, do arrepio que ainda me queimava.
Escrevi: Ari: Espero que esteja curtindo bastante com o seu novo namorado haha. Rafa: Estou sim. Mas e aí, conversou com o seu amiguinho sobre "a amizade" de vocês? Ari: Conversamos e decidimos curtir, mas disse pra ele não recusar novas oportunidades. Não quero empacar a vida dele. Rafa: Mas e você, garotinha? Vai empacar a sua? Ari: Rafa, mal saio de casa. Conhecer alguém novo é impossível, ninguém entenderia a minha realidade. O Nicolas já entende.
(Se é que entender, né?)
A verdade é que já tive quem me entendesse: Bernardo Magalhães, meu melhor amigo. Mas aí apareceu uma alecrim dourado qualquer, cheia de sede de palco, e convenceu ele a cortar contato comigo. O pau mandado obedeceu, e eu fiquei devastada. Fim da história.
Saí da cama pra espantar os pensamentos e cozinhei um risoto quatro queijos com bife acebolado. Mal terminei de lavar a louça, meu celular tocou. O balde.
— Tá em casa, gatinha? — Sim, por quê? — Só queria te ver. Já tô na sua porta.
— Você ficou maluco, Nicolas? Meus pais não podem nem desconfiar que a gente se fala!
— Diz que vai ao mercado rapidinho.
Suspirei, inventei uma desculpa e desci. Ele estava de traje social — calça azul-marinho, camisa branca. Bendito seja o alfaiate. Bastou eu entrar no carro e ele me roubou o ar com um beijo quente, o suficiente pra eu quase esquecer o risco que estava correndo.
— Eu estava ansioso pra te ver, Ari. — Percebe-se. — Mas e aí, o que te deu pra sair daquela forma da minha casa?
— Nicolas, a gente já falou sobre isso. Se eu enfrentar meus pais desse jeito, só vou piorar as coisas. Você não entende.
Ele gesticulou, irritado:
— Tem que deixar o pau quebrar, eles vão se acostumar!
— Fácil falar quando se é homem, né? Você pode sair a hora que quiser, pra onde quiser. A vida sorri pra você. A minha realidade é outra.
Será que ele vive em Nárnia?
Olhei pela janela, e só vi as ruas passando. Ele pousou a mão firme nas minhas coxas, e eu quase esqueci da raiva. Me perdi por meia hora no toque, no cheiro, na lembrança da parede em que ele me prendeu da última vez. Só percebi o tempo quando vi a notificação da minha mãe: "Já no mercado?"
— Meu tempo acabou, Nicolas. Preciso voltar.
Ele suspirou, desapontado, mas me deixou na porta de casa. Ganhei um beijo rápido e entrei.
"Puta merda, o que eu digo que comprei?" Pensei. Mas inventei o shampoo errado e a mentira morreu ali.
Depois de um banho, vi um tweet dele: "Só queria passar na casa dela e levar pra comer um X-tudo." Respondi: "Eu queria ser essa pessoa."
Segundos depois, ele me mandou no WhatsApp: 20:30 — Duvido você sair de casa pra lanchar comigo. 20:32 — Eu pago pra ver, Nicolas. 20:35 — Tô indo dormir. Trabalho me deixou grilado. 20:37 — Sei não, acho que você precisava desestressar.
Sorri sozinha. Fiz o impensável: tirei uma foto de costas, nua da cintura pra cima, só de jeans. Enviei.
20:41 — Agora tô puto e com tesão. Isso é golpe baixo, Ari. Você só me atiça e não faz nada...
20:42 — Bons sonhos, gatinho.
Bloqueei o celular, vitoriosa. O jogo estava em minhas mãos. A adrenalina era meu vício, e Nicolas... bem, Nicolas era só a desculpa perfeita.
Esse garoto vai me trazer problemas. Mas eu continuo. Só pra ter certeza mesmo.