• Romance ficcional •
Um reencontro entre ex namorados regado à paixão e desejo. Ariadne sempre quis ser independente. Após o sonho em cursar medicina ir por água abaixo, se tornar uma farmacêutica lhe parece uma boa opção para iniciar uma carreira...
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Graças ao bom Deus, finalmente chegou o dia da tão esperada viagem, e tudo correu bem durante as 22 horas de percurso, no máximo conforto que um ônibus poderia oferecer.
Assim que cheguei ao hotel, tarde da noite, peguei as chaves do quarto e senti uma felicidade silenciosa de quem, enfim, está colhendo frutos de suas escolhas e esforços. A sensação de lutar por aquilo que quer é única — e nem por um segundo me arrependi das portas fechadas que a vida me deu. Elas me fizeram chegar até aqui.
Após um banho quente, tentei relaxar assistindo a alguma série na Netflix, mas o cansaço me venceu rapidamente. Os dois dias seguintes foram, sem exagero, os mais cansativos da minha vida. Mas agora prometi a mim mesma que iria aproveitar cada instante do último dia da viagem, mesmo com a incerteza da aprovação ou não.
No hotel, me arrumei com cuidado, passei uma maquiagem discreta para disfarçar as olheiras de concurseira e, curiosa, decidi dar uma passada pela porta do prédio central de operações da Polícia Federal, imaginando onde poderia trabalhar, se Deus permitisse.
Chamei um Uber e fui parar no bar mais próximo. O ambiente era rústico, frequentado por pessoas de meia-idade em clima de happy hour. Um barman simpático e jovial me atendeu. Pedi um gim tônica para relaxar, observando tudo ao redor.
— Acho que alguém aqui já pegou e analisou a ficha de todo mundo só com o olhar. — Comentou ele, limpando o balcão.
— Bem que eu queria ser uma farejadora como você diz. E, aproveitando, quero uma cerveja. — Disse, finalizando meu drinque.
Enquanto bebia, notei um homem alto e robusto, cerca de 1,85m, moreno, olhos claros e barba impecável. Sentou-se na minha frente, afrouxando a gravata. Um copo de whisky deslizou até ele.
— Chegou cedo hoje. — disse o barman.
— Já sentiu minha falta, sabe que cedo ou tarde sempre bato meu ponto. — respondeu ele.
Ele tomou várias doses de bebida pura; parecia que queria se embriagar, ou talvez tivesse bons motivos para isso. Peguei minha bolsa, conferi mensagens, quando percebi alguém me observando fixamente.
— Você tem idade para estar num lugar como esse, garota? — a voz grossa e embargada pelo álcool me assustou.
— Valeu pelo elogio, mas minha idade e meus lugares não são da sua conta. — respondi firme.
— Ui, a gatinha já aprendeu a falar e frequenta bares! — disse ele, sarcástico.
Levantei-me para ir embora, mas uma parede, deliciosa, surgiu à minha frente. Ele abriu um sorriso capaz de derreter qualquer defesa.
— Perdoe-me... Meu nome é Afonso. Se quiser ficar um pouco, eu pago uma bebida e você me conta mais sobre isso. — Seu charme era inegável.
Não tinha nada a perder. Aceitei, sabendo que seria apenas uma distração antes de voltar ao hotel.