• Romance ficcional •
Um reencontro entre ex namorados regado à paixão e desejo. Ariadne sempre quis ser independente. Após o sonho em cursar medicina ir por água abaixo, se tornar uma farmacêutica lhe parece uma boa opção para iniciar uma carreira...
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Susto e um mini ataque de pânico seriam pouco para descreverem o que senti naquele momento. Meu pai – que é meu melhor amigo - sempre amou e colocou Nicolas e sua família em um pedestal por serem o modelo típico e padrão da família tradicional cristã brasileira, porém, acabei contando a ele enquanto viajávamos de volta para casa sobre algumas coisas que meu ex-namorado me disse sobre o nosso relacionamento ou sobre o que gostaria de fazer comigo quando estivéssemos sozinhos e ele ficou com tanta raiva que os nós dos seus dedos ficaram brancos de tanto apertar o volante, tive certeza que a qualquer momento iria arranca-lo.
Não é favoritismo, é apenas uma questão de mais afinidade. Sempre foi assim. Tenho vergonha até de ver filmes com cenas que possam conter sexo com minha mãe, quanto mais conversar sobre. Por termos a personalidade um pouco parecida – segundo meu pai – o dialogo não é algo muito agradável na maioria das vezes. O medo de ser como ela em alguns aspectos, justamente por isso, me persegue. Sempre a amei e admirei muito pela mulher e mãe excelente que sempre foi e ainda é, mas ela quer me mudar o tempo todo para me encaixar nos seus padrões e isso sempre me irritou muito, então prefiro ficar calada e fingir demência que acabo vivendo melhor.
"Ele te enxerga como uma puta Ariadne, isso é inadmissível, não é possível que você deixe ele te tratar assim."
Meu pai me disse indignado enquanto dirigia e eu tentava acalma-lo. Todas as minhas amigas possuem algum tipo de aversão por Nicolas, pois dizem que é tudo malandragem e não importa o que eu faça ele sempre vai reverter a situação para que eu me sinta culpada.
Não converse com ela, espere que a procure. Mas se caso a procurar, diga que é proibido, e errado. É que apenas casados conversam sobre isso. Por falar nisso, não a deixe que transe antes do casamento, se fizer isso antes, irá estragar a vida dela. Não a informe, a curiosidade induz ao erro. Deixem os meninos livres, irem e voltarem a hora que quiserem.
Deixe as meninas na torre. Esse mundo anda mesmo muito perigoso. Crie ela assim, que se caso ouse se rebelar, a culpa corroerá suas veias pelo resto de seus dias.
Essa era a minha realidade. Patética, eu sei. Mas era uma triste e mórbida verdade. Ser menina é ter que viver aos sussurros para não escandalizar ninguém.
- Seu irmão estava colocando o lixo pra fora e achou muito estranho uma BMW branca estacionada do lado oposto da rua e próximo a nossa casa, então eu fui ver se era de algum vizinho mas nem foi preciso porque você saiu de dentro do carro no mesmo momento e vi aquele cara de pau abaixando o vidro pra te ver caminhar até o portão. Agora o que me intriga é o fato dele ter ido até o teu local de trabalho pra te buscar, ou seja, vocês já estavam conversando a algum tempo Ariadne? - Meu pai sempre foi ótimo em conseguir me desvendar com os olhos, o lado ruim disso é que ele também me encurralava sutilmente para conseguir o que queria saber com a sua personalidade dócil.
- A gente já tinha conversado algumas vezes por um tempo.
- Então vocês se encontraram mais vezes antes? – Minha mãe apareceu e entrou na conversa sem dar ao menos uma seta me fazendo dar um pulo no sofá como reação.