• Romance ficcional •
Um reencontro entre ex namorados regado à paixão e desejo. Ariadne sempre quis ser independente. Após o sonho em cursar medicina ir por água abaixo, se tornar uma farmacêutica lhe parece uma boa opção para iniciar uma carreira...
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Pisco algumas vezes tendo a certeza de que o tempo e o mundo pararam depois daquela informação. Cacete, agora tudo fez sentido. Não disse nenhuma palavra, apenas dirigi até o seu apartamento, abri a porta para ela e deixei que desabasse aninhada em minhas pernas por quanto tempo precisasse.
Afago seus cachos e beijo o topo de sua cabeça quando os soluços começam a diminuir. Ela apenas levanta o rosto lentamente para mim e me lança um olhar perdido, cheio de dor. Como uma garotinha abandonada.
-Eu o matei Ariadne. – Seu rosto ainda permanecia aninhado na dobra da minha perna.
- De quem você está falando? - procuro seus olhos e tudo que encontro é o mais puro sofrimento.
- Um bebê. – Ela urra após se levantar bruscamente e socar o sofá com toda a força. A contenho a tempo e a faço voltar para onde estava. Com a cabeça em meu colo. - Eu não desejo aquela dor nem ao meu pior inimigo. O olhar de pena, humilhação e desprezo.
- Me perdoe por ser tão insensível, mas... como tudo isso aconteceu? - Me remexo para ajeitar a postura no sofá enquanto Cris deitava sua cabeça sobre minhas pernas. Eu esperaria o tempo que fosse necessário para que ela falasse, afinal, a dor era dela e a respeitaria se não quisesse contar.
- Éramos adolescentes e para mim era tudo um conto de fadas. - Ela pondera pensativa e absorta em si mesma.
- Bom... para ele era um conto de fodas. Me enxotou da sua cama assim que contei sobre a gravidez e disse que não tinha nada a ver com aquilo. – Limpou o nariz com as costas da mão e fungou logo em seguida. - Poderia ter transado com outros caras, mas ele era o sol da minha vida, e automaticamente me vi sem chão e em queda livre.
- Virei uma sarna para arranjar um emprego até que juntasse o suficiente para me sustentar sozinha. Meus pais sempre disseram que a obrigação de financiar e apoiar os filhos eram inteiramente dos pais e não o contrário, por isso, nunca me deixaram trabalhar. Assim que disse na mesa de jantar que queria um trampo, eles negaram antes mesmo que eu pudesse terminar a frase. - Suas costas afundam sobre o sofá. - Hoje eu entendo que embora fosse um tipo de cuidado, era também uma forma de me controlar já que para me derem o dinheiro sabiam para onde eu iria e com quem estava. Trabalhando eu teria uma certa independência.
- Depois de alguns meses em que ela me levou para uma "consulta ginecológica", fui fazer um exame de sangue para a médica responsável pelo meu pré-natal e constatar que não estava mais grávida, eu disse que não havia abortado. Eu tinha plena certeza disso. Estava... tão animada. – Seus orbes sombrios se perdem na parede a nossa frente. - Ela olhou em meus olhos com uma certa soberba por achar que eu estava brincando com a cara dela e disse que na verdade não foi um aborto espontâneo e sim um procedimento induzido. - Sua voz some e seu corpo todo treme diante das lágrimas derramadas copiosamente - eu não pude - ela suspira recuperando o fôlego - eu não pude despedir do meu bebê. A partir daquele dia uma parte de mim morreu.