Lívia
Julho de 2039
Depois do acontecimento de ontem, resolvi que seria melhor levar Daniel e Caroline comigo, durante a minha estadia em Recife. Eu precisava participar de um evento empresarial na quinta-feira, como palestrante, e queria aproveitar a ida para resolver algumas pendências com uns compradores. A minha advogada não insistiu em me questionar do motivo pelo qual eu queria levá-la e isso era no mínimo preocupante; afinal, a jurista não desiste de obter respostas tão fácil, ou seja, se não iria tirar nada de mim, encontraria outros meios. Eita mulher geniosa!
Após receber os devidos cuidados no ferimento, decidimos não arriscar que Dani nos pegasse, dormindo, na mesma cama. Eu estava mais tranquila depois da conversa com ele, mas sabia que o meu garoto tentava resolver sozinho o problema com pesadelos e só me chamava quando já estava aterrorizado; se o pequeno entrasse no meu quarto e encontrasse Caroline lá, poderia voltar e ficaria acordado a noite inteira. Conversamos brevemente e concordamos que seriam muitas informações para um único dia, ficamos namorando um pouco no quarto, eu sentada na poltrona catarina e ela no meu colo, todavia, logo tratamos de encerrar o contato, após o clima sair do controle.
Eu não estava errada, observei Dani dormindo, algumas vezes, antes de me deitar, entretanto, acordei no meio da noite com uma coisinha se movimentando embaixo das cobertas e se aconchegando perto do meu corpo.
- Pesadelos? – Indaguei e ele se assustou.
- Que susto mamãe! Desculpe ter te acordado, posso dormir com você, só por hoje? – Ele me questionou, meio receoso, arrancando-me uma risada.
- Desculpe ter te assustado; e hoje eu também não quero dormir sozinha, o senhor poderia dormir comigo? Soube que é um rapazinho muito corajoso! – Perguntei, tentando animá-lo.
- Sim, nós vamos cuidar de qualquer monstro que aparecer nesse quarto, pode contar comigo. – Meu pequeno me garantiu, já incorporando algum personagem, de qualquer animação, que eu não conhecia.
- Ótimo! Boa noite, campeão; eu te amo. – Concluí, e em seguida, abracei o seu corpo pequeno, trazendo-o para mais perto do meu.
- Boa noite, mamãe; eu também te amo. – Dani falou, depois de depositar um beijo na minha bochecha.
- Tenho uma surpresa para você amanhã. – Mencionei, antes de ele pegar no sono.
- O que é? – O curioso indagou.
- Não posso falar, é surpresa. – Insisti em manter o segredo.
- Ah não! – Ele reclamou e bufou.
- Durma, seu curioso; amanhã você saberá. – Finalizei e depositei um beijo na sua cabeça.
- Tudo bem. – Ele concordou, por fim.
Mesmo dormindo comigo, Dani acordou diversas vezes e a nossa noite foi um pouco agitada; pela manhã, ele estava desmaiado de tanto cansaço. Chamei o dorminhoco para se arrumar e tomar café, mas na hora de partirmos, ele já dormia novamente; dessa vez, deitado no sofá da sala de estar e com a cabeça apoiada no colo de Carol, que fazia um cafuné gostoso em seus cabelos.
Observo a cena, completamente abobalhada por ver um dos meus maiores tesouros no colo da doutora, enquanto ela se encarregava de lhe fazer um carinho. A mulher olha na minha direção e me lança um sorriso tímido, ao perceber a minha presença. Pisco, de forma cúmplice, fazendo-a revirar os olhos, e desvio a minha atenção para a porta de entrada, onde vejo a minha irmã adentrando na residência.
- Lívia. – Denise se pronuncia, conseguindo a minha atenção. – Não podemos ir ao seu apartamento, em Recife; será arriscado demais, já que o endereço é antigo. – Ela me alerta, com certa preocupação estampada. – Está em cima da hora para conseguirmos uma outra locação, contudo, podemos tentar um hotel ou até mesmo uma pousada. – A minha irmã sugere, por fim.
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UMA NOVA CHANCE (Original)
AcciónCaroline saiu de Pernambuco, em busca de uma vida melhor na capital paulista, no entanto, depois de perder o amor de sua vida, em um acerto de contas, a mulher decidiu retornar ao Nordeste, à procura de vingança. Após se instalar na cidade de Caruar...
