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Quanto mais interagirem, mais rápido eu soltarei

Tatiana

Que mico foi aquele de ontem? Meu pai amado, perdi o limite da bebida e deu nisso. Ainda o Rafael me trouxe em casa e me viu naquele estado, nem entendi o porque dele me tirar de lá e ainda mais vim com aquele papo que se eu ficasse com outro ia me surtar e bla bla bla.

Sinceramente? Era por isso que não queria me envolver, sai de um relacionamento onde era basicamente isso, ameaças, traições e agressões. E não quero ficar com alguém que eu mal conheço e já vem me ameaçando. Mas tu se envolver com traficante é isso, eles querem ter posse de você e se você abaixar a cabeça, eles monta em cima de você sem dó nenhuma.

Acordei com aquela ressaca, tomei meu banho e desci pra tomar café da manhã/almoço. Ainda tinha umas clientes pra atender hoje, porém marcado era só as 11hr. Falei com a Pamela e Victor pelo celular, esses curiosos tudo querendo saber o que rolou ontem depois do Rafael me trazer pra cá.

Entrei no ateliê e já tinha umas clientes, dei bom dia para todas que estavam ali.

Victor: Iai querida, se acabou ontem hein

Tati: comemorar vitória do flu.

Victor: e rolou algo depois?

Tati: que nada, não falei que ele só me deixou lá?
Mas agora quero distância dele.

Victor: e porque?
Tati: veio com papo que se eu ficasse com outro ia surtar, tava alterada ontem, mas não ia esquecer isso. Cansei de viver sob ameaças, não vou me submeter a isso novamente não.

Victor: tá mais que certa, se livrou de um embuste e vem outro? Não é bem assim.

Tati: então né.

Quando deu 20hr eu fechei tudo, guardei a chave na minha bolsa e sai andando. Sempre vinha a pé, não era longe.

Me assustei quando ouvi os fogos, gelei na hora, eu na rua e tendo invasão. Comecei a entrar nos becos na esperança de cortar, acabou que na hora do nervosismo entrei num beco e acabei saindo aonde nem conhecia. Já tava quase começando a chorar ali mesmo enquanto os barulhos de tiros ficavam mais alto.

Tubarão: tá louca caralho? Se não ouvi o toque de recolhe não? —brotou na minha frente.

Tati: tava no serviço.

Tubarão: abaixa a cabeça. —entrou na minha frente e grudou na parede— você é foda viu.

Tati: estava trabalhando, ia imaginar que iam começar a invadir o morro?

Tubarão: luquinhas —chamou um menino e ele veio de cabeça baixa e correndo com fuzil— leva ela pra casa dela, rua 24. —dei a chave de um carro.

Luquinhas: jaé chefe.

Fui correndo de cabeça baixa enquanto ele ficava na frente com fuzil me protegendo, entramos num carro e ele dirigiu igual doido até em casa, agradeci ele e entrei correndo.

Fechei todas as janelas, portas, e fiquei no chão do meu quarto sentada mexendo no celular.

Comadre: tá aonde, comadre? (20hr)
Comadre: Tati? (20hr)
Comadre: sai do ateliê não, vão invadir aqui. (20hr01)

Tatiana Onde histórias criam vida. Descubra agora