Fechando a porta, pensava muito no que M10 dissera, não se imaginava em nenhum momento sendo capaz de suportar toda aquela dor. Do outro lado do corredor ES9 a esperava, seus olhos azuis claros como a água, a encararam. Seu cabelo loiro brilhando com a pouca iluminação do corredor. Ele estava encostado na parede oposta, esperando.
— Aparentemente agora é a minha vez — disse com um sorriso — A gente costuma dividir as tarefas para ajudar os necessitados.
Ela riu. O jeito dele era diferente, engraçado. Eles começaram a andar, ES9 um pouco mais na frente.
—Então, como foi? Vocês conversaram? — perguntou, quebrando o gelo.
— Foi... Interessante — respondeu L3. Não sabia se era a melhor forma de expressar tudo que sentia, mas queria guardar o máximo daquela conversa para si — Você acha que ela vai ficar bem?
Era uma pergunta que ecoava na cabeça de L3 desde que viu a menina adormecer. M10 não parecia nada bem, deveria ser horrível ficar naquela sala, solitária, gemendo em dores por dias. Queria mais que tudo que a garota se recuperasse.
— Com certeza. Não se preocupe, os médicos são os mais fortes — disse ele, virando no último corredor — E M10 é a pessoa que mais pode te surpreender nessa vida.
L3 olhou para o rapaz, sua voz havia soado um pouco triste, como saudade, ou talvez fosse só impressão. Logo estavam de volta na grande sala, parecia que ela era a fonte de todos os corredores, dessa vez eles foram pela direita. Esse corredor era um pouco mais estreito, ela quase conseguia tocar a cabeça no teto.
A respiração de ES9 pesou, respirando com dificuldade. Seu peito arfando, como se estivesse sendo pressionado. L3 sabia que ele estava tentando esconder, fazendo um péssimo trabalho já que estava óbvio, então decidiu perguntar mesmo assim.
— Você está bem?
— Estou, obrigado — respondeu, dando um sorriso tenso.
Depois de mais um corredor ele concluiu, a voz baixa.
— Eu sou claustrofóbico. Então a T.O.C.A para mim não é um dos lugares mais confortáveis no mundo para ficar.
L3 olhou para ele com simpatia, não tinha ideia de como era ser claustrofóbico, mas não deveria ser nada fácil em um lugar daqueles . Eles passaram por uma sala que chamou sua atenção na mesma hora. Era uma sala grande, tinha vários pesos espalhados, um tatami no canto esquerdo, e alguns sacos de boxe.
Não conseguiu evitar um sorriso e entrou na sala, sentindo o melhor cheiro que poderia existir, suor. Sabia que explicar isso para outras pessoas era um pouco esquisito, mas estava tão acostumada a aquele cheiro, que não importava. A trazia paz e uma sensação de estar em casa.
— Pois é, esse lugar é praticamente o nosso lugar favorito. Meu, seu e de L4. Também é o único lugar que vale a pena sentir claustrofobia — disse — Na verdade eu normalmente não sinto nada aqui. Acho que socar um saco de pancadas tira o meu foco de pensar que estou sendo mantido em um lugar subterrâneo e vou morrer sufocado a qualquer instante.
L3 conseguia sentir que aquele era o seu lugar, parecia ter crescido ali, era tantos sentimentos misturados. Sua cabeça tomou controle e ela pensou melhor no que ES9 havia dito, finalmente caindo na real. De todos os nomes ES era o único que não sabia o significado, mas tinha ficado óbvio.
ES9 gostava de luta, era corajoso, a academia era seu lugar favorito. L3 morreu com um ES do seu lado, em uma missão.
— Você é meu Escudeiro — comentou.
O rapaz abriu um sorriso.
— Ao seu dispor.
Agora sabia o significado de todos os nomes, sabia suas funções. Mas sentia que ainda estava longe de conhecer cada um. Ela se dirigiu a porta, queria ficar na academia, porém, sua vontade de assistir aquela fita era ainda maior. Eles seguiram andando pelo corredor com L3 cada vez mais atenta, precisava decorar o caminho de volta para aquela sala.
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A Última Vida
Science FictionEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
