Já era noite novamente e L4 sentia sua cabeça doendo. Desde que chegou não fez muitas coisas. Seu dia resumiu-se em praticamente encarar a tela principal. Alice DeLuca mostrou os lugares e os respectivos quartos, para a surpresa de todos o local era bem maior do que imaginavam. Não tão grande quanto a T.O.C.A, mas o suficiente para cada Escolhido ter o seu próprio quarto, não que também fosse necessário, desde que sabia ES8 e Pi14 dividia o mesmo quarto e P50 e E35 o outro.
Ele não queria ir para o seu quarto e contemplar a solidão do lugar. Isso ele poderia fazer dali. Alice havia dito para todos descansarem e depois eles se encontrariam para conversar. Ninguém se moveu, todos os Escolhidos olharam para L4 que somente após repetir a mesma coisa, começaram a dispersar. Sem a L3, a liderança ficava com o próximo L.
Ninguém estava acostumado a receber ordens de humanos, ele mesmo havia ficado um pouco irritado, mas sabia que não foi por mal, e se de alguma maneira fossem trabalhar juntos, teriam que se acostumar.
Os humanos não escolheram um nome para onde estavam mas desde que chegou P50 havia chamado o lugar de T, uma abreviação para terraço, tantas vezes que acabou ficando na mente. T ficava no último andar de um alto prédio, um dos mais altos da cidade, dali era possível enxergar a cidade inteira, e as Cinco Torres estavam bem mais perto que o usual, já que estavam no lado norte. Para chegar ali só por meio de elevadores, que ficavam restritos para o último andar, com um sistema de segurança desenvolvido por Dylan. Como haviam teletransportado, o lugar apitou várias vezes até que o rapaz desligasse. Parecia bem protegido.
Os quartos eram separados ao longo de um corredor, oito quartos ao total. O corredor era localizado no meio, cruzando o apartamente na horizontal, levando a várias portas. Perto da entrada, havia uma cozinha, junto com uma sala, bastante espaçoso e um ponto de reuniões, onde estava L4. Depois do corredor havia um pequeno espaço para contemplar a cidade, todo fechado por vidros, igual a sala. Não existia uma garagem secreta ou uma academia, mas era o melhor que poderiam ter.
Quando todos começaram a ir para os respectivos quartos, o rapaz puxou o Programador em um canto e pediu que colocasse a transmissão do programa no computador, o menino deu um olhar feio para ele, preocupado, dizendo que o programa avisaria, mas acabou colocando de qualquer maneira. O pequeno ponto de reuniões tinha uma grande tela no centro, em forma de uma mesa, algumas cadeiras espalhadas em volta, outra tela ficava presa em um tripé.
Dali era possível ver a cozinha e a sala, já que não era separado por paredes. L4 foi na direção da cozinha e fez outro café, não era o seu primeiro, e muito menos o último, já havia perdido o cálculo. Com o café nas mãos ele voltou para a cadeira que havia passado horas.
Algumas coisas eram diferentes em computadores humanos, no tempo que passou ali havia visto tantas notícias inúteis, que já sabia as próximas competições esportivas e a vida de alguns famosos. Mas nada realmente valioso, e nada sobre Imperatore, apenas notícias e propagandas para lugares como Magina.
Ele se ajeitou um pouco desconfortável na cadeira. Quando era ainda humano tinha ido no Magina, era seu aniversário de dezessete anos e ele se sentia tão ruim que precisava se divertir de alguma maneira. Todos diziam que a primeira vez no Magina era grátis e realmente era, então foi para lá que foi. L4 se lembrava de ter sentado na cadeira fria, o moço de olhos brancos e tatuagem colocou vários cabos em seu braço e um capacete gelado. Antes que pudesse mudar de ideia, um líquido roxo foi injetado em seu braço, e a brincadeira começou.
Tudo era extremamente realista, tanto que depois foi necessário piscar um pouco para relembrar sua própria vida. Ele entendia o porquê da primeira vez ser de graça, era viciante. Tinha visto tantas coisas legais que desejava que fossem reais, que perdia a graça pela vida presente. Magina retirava os seus desejos mais secretos da mente, e os encenava da maneira que desejasse. Depois daquele dia ele prometeu a si mesmo, nunca mais voltar naquele lugar. Não queria ficar à mercê de memórias falsas.
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A Última Vida
Sci-fiEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
