Capítulo 26 - Você roubou um objeto que pertence a mim.

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O quarto parecia girar, não importava quantas vezes piscasse ou tentasse focar em algo, sua cabeça doía como se tivesse batido em uma parede. Poucas coisas se lembrava, uma luta com alguns encapuzados. Mas eles não lutaram realmente, poucos chegaram a empunhar a espada, da maneira como a garota imaginou que aconteceria. Aos poucos deixou a luta pender para o lado dos Lampírios. A última coisa que sentiu foi um tranquilizador sendo atirado em seu pescoço, depois tudo ficou preto.

O tempo que passou pensando na sala de recepção e a conversa com Micaela a ajudou a clarear algumas coisas. Ela acabou não contando para ninguém, o que a fez pensar, com pouco orgulho, que já estava virando habitual. Seu passado também não havia contado sobre o traíra.

Se de alguma maneira gostaria de saber o que Imperatore queria, a melhor maneira seria sabendo por ele, mesmo achando o plano bem idiota... Não que existisse um plano bem elaborado. Mas ela sabia no momento que pisou para fora do elevador o que aconteceria, Imperatore precisava dela, talvez a dando a chance de chegar perto o suficiente para matá-lo. Era arriscado, mas era uma oportunidade. Então seja forte e destrua Imperatore, sendo quem você precisa ser.

L3 tentou se endireitar, soltando um gemido, não tinha muito o que podia fazer, ela se sentou, sentindo algemas com correntes presas no chão ao seu lado, tão curto que não a deixava com a possibilidade de levantar. Aparentemente Imperatore era mais medroso do que imaginava.

— Olha quem acordou — era uma voz fria, falsa — Já estava ficando preocupado.

Imperatore riu. Sua risada era a pior de se escutar. Ele deu um passo à frente, o terno perfeitamente ajustado no seu corpo. Era engraçado observá-lo, Imperatore não parecia nem velho, nem novo. Seu cabelo era pintado em um branco, e os olhos estavam na cor normal, um vermelho vivo, seu rosto não possuía marcas de velhice, mas era óbvio que ele passou por algumas cirurgias. Ela não sabia quantos anos o rapaz tinha quando o algoritmo foi criado.

L3 afastou o olhar. Ele conseguia controlar quando matar ou não, mas só de olhar em seus olhos trazia um frio pelo corpo. Ela olhou para a sala pela primeira vez, agradecendo que as suas roupas continuavam intactas sobre o seu corpo, tirando seu tênis, tudo estava igual ao dia anterior, ela não se surpreendeu, ES9 provavelmente teria avisado sobre o rastreador.

— Estávamos aguardando ansiosamente o seu brilhante retorno.

A garota piscou mais algumas vezes, sentindo-se grogue, ao menos Imperatore, em sua visão, havia deixado de ser quatro, virando apenas dois.

— Onde é que eu estou? — perguntou L3, a voz quase não saindo.

Ela tossiu um pouco, além das algemas, não existia mais nada no quarto, apenas paredes brancas e uma porta onde Imperatore e um outro homem se posicionavam, com dois Lampírios nas suas costas. A garota perguntou-se, onde o Escudeiro estaria, não imaginou que perderia essa ótima saudação de boas vindas.

— Nas Cinco Torres, querida — A garota se contorceu ao ouvir expressão afetuosa, fazendo um barulho de nojo — O que? Você não gosta de querida? Que tal, amor?

Ela repetiu o som, um pouco mais alto dessa vez. Imperatore ignorou o barulho e se aproximou mais, mas ele não se atreveu a ficar em seu alcance.

— Sabe, eu gostaria de te contar uma história.

— Eu tenho opção? — disse L3.

Imperatore a olhou, como se devesse ser grata por ouvir sua história. Ele se virou para a parede, posicionando as mãos atrás das costas, como sempre costumava fazer. Uma de suas mãos era biônica e a verdadeira parecia estar em uma cor mais arroxeada. Ele limpou a garganta, mantendo sua pose.

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