Capítulo 16 - Bom dia.

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— O que aconteceu? — perguntou L3, adentrando a sala de reuniões.

P50 parecia nervoso, ele arrumava seu cabelo desesperadamente, suando frio.

— Por onde eu começo... Ele saiu no mesmo momento em que vocês saíram, provavelmente foi contar o nosso plano para o seu melhor amigo — disse o rapaz, rapidamente. — Ah... Eu também descobri quem entrou nos computadores para apagar as câmeras, advinha a surpresa? Foi PI14. O mesmo que gravou todas as informações dos Escolhidos, no dia do apagão.

— Como você descobriu isso?

— Pela chave de acesso — respondeu — Foi ele.

— Onde ele está? — perguntou L4.

O Programador olhou para o chão, sem jeito.

— P?

— Então... Creio que eu entrei na lista negra dele — Os Lutadores o olharam, esperando a continuação. — Eu meio que o ataquei pelas costas quando ele voltou, e talvez o tenha amarrado em uma cadeira naquela sala.

L3 não conseguiu segurar um sorriso. Por sua surpresa, L4 também não. Dirigiram-se para a primeira sala do corredor, próximo do ponto de reuniões. A porta rangeu, provavelmente aquela sala não era usada a muito tempo.

PI14 estava apagado, a cabeça pendendo para a frente. Os braços atrás das costas e o peito amarrado na cadeira por uma corda. Fecharam a porta atrás deles. L3 se aproximou para acordá-lo, mas não foi necessário. Com um gemido ele começou a levantar a cabeça. PI14 parecia tão ruim como sempre, tinha grandes olheiras, estava pálido e magro.

— Bom dia.

— L4... Mas que merda — gemeu PI14, ajeitando-se na cadeira. — Qual é a de vocês?

Seu cabelo enrolado caía em seus olhos, ele balançou a cabeça.

— A gente sabe PI14, a gente sabe que você fez um acordo com Imperatore — disse L3, em voz baixa.

— Isso é palhaçada, vocês pegaram o cara errado. Confia em mim.

— As palavras já pararam de significar alguma coisa a muito tempo — disse P50, em voz baixa.

L3 observou o menino, com curiosidade. Ele não era muito de expressar seus sentimentos, mas era óbvio que também estava cansado de mentiras, de ser enganado, e pelo seu estado, precisava urgentemente dormir. O Programador tinha sido o mais empenhado desde o começo, com tudo em suas costas, devia estar exausto.

— Por que você apagou as câmeras PI? — perguntou P50.

— Eu não apaguei nenhuma câmera.

— Seu acesso no computador diz o contrário, e a gravação das informações da T.O.C.A também, portanto NÃO MENTE PARA MIM — berrou P50.

— Eu só achei meu objeto... Hoje de manhã. Alguém tinha roubado de mim.

— É mesmo? E eu descobri hoje que sou um unicórnio.

L4 colocou a mão sobre o ombro do garoto, como quem dizia que já estava bom. Ele recuou, fixando o olhar na tela em suas mãos.

— PI14, se você não começar a falar por vontade própria — disse L3 — Nós vamos fazer você falar, e não vai ser com carinho.

Esperava que tivesse soado convincente porque ela mesma não acreditava no que tinha acabado de dizer. Não achava-se capaz de torturar um amigo, ainda mais depois da sua promessa com a Escudeira. Seu eu do passado não ficaria nem um pouco satisfeita se o fizesse. Além de tudo, começava a acreditar que o Piloto pudesse estar falando a verdade.

A Última VidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora