Capítulo 21 - De volta a T.O.C.A

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— O antídoto precisa ser injetado diretamente na veia — disse M10.

A Lutadora acenou com a cabeça, sentindo-se longe. P50 e L4 conversavam, do outro lado do quarto, sobre as melhores opções de entrar na T.O.C.A. Eles não possuíam um plano extremamente elaborado, mas poderia funcionar.

— Ok, juntando — disse P50, elas se aproximaram — Todos sabem o plano?

Todos acenaram.

— Eu quero ir — disse M10.

L3 virou em sua direção. Como assim? Os Médicos normalmente ficavam longe de lutas. Lembrou-se quando estava presa com ela na enfermaria, seus olhos azuis cheios de lágrimas, eu não fui feita para matar pessoas, eu fui feita para curá-las. Lampírios não eram pessoas mas mesmo assim ela não conseguia nem segurar uma a arma. Preocupação tomou conta de si.

— Não, você não vai — disse L3, um pouco mais firme do que esperava.

M10 olhou para ela, a cicatriz atravessando todo o lado de seu rosto. Ela cerrou o cenho, indignada. Seus braços cruzando-se contra o seu corpo, desafiando-a.

— Então quem você espera que te injete o antídoto? A não ser que existe alguém aqui apto a fazer tal serviço — interrogou. Ela olhou em volta, todos ficaram calados — Como imaginei.

— M10 fica comigo — disse L4 — Eu protejo ela.

A Médica abriu um sorriso, diretamente para a garota. Por que L4 deixaria ela ir? Ela olhou para o rapaz, ele entendeu seu olhar e deu de ombros, como quem dizia que se ela quisesse ir não havia nada que eles poderiam fazer para impedir. L3 achou graça por entendê-lo com apenas um olhar.

— Você tem certeza que o antídoto está na T.O.C.A? — perguntou Pi14.

— Bem... Não. Mas eu sei que ninguém acessou a enfermaria — respondeu P50 — Quer dizer que enquanto eles não descobrirem a senha, está tudo certo.

— Por sinal — disse L3 — Qual a senha?

O rapaz riu.

— Um, dois, três, quatro.

L3 se segurou em perguntar se ele realmente falava sério, mas seu olhar já confirmava. Ao ver que ninguém mais ria, ele jogou as mãos para o alto, como se estivesse na mira de uma arma, rendendo-se.

— A gente não imaginou que algum dia perderíamos a T.O.C.A, ok?

..........


A porta da entrada lateral estava logo diante. L4 tinha aberto um portal para ela e Pi14, que passaram em silêncio. Essa porta flutuava no meio de uma floresta, as árvores dançavam em cima deles, o ar limpo, nada parecido com a cidade. Ela respirou fundo, sentindo o cheiro de hortelã, folhas e liberdade. 

Ela olhou para o chão, milhares de raízes, cheio de lodo, traçavam um caminho até a porta, cobrindo-a de raízes. L4 provavelmente estaria agora, na entrada principal da T.O.C.A, localizado no deserto, que também era bonito, mas nada comparado à floresta.

Estar naquele lugar trazia ótimas sensações, seu corpo ficava livre. O vento batia contra sua roupa, a fazendo sorrir, mas também a fazia lembrar de ES9. Como ele se expressava. Como se divertia, mesmo com simples coisas. Como falava de sua família. Podia negar mas sentia falta de seu jeito, ele era praticamente um irmão. 

Pi14 moveu para ficar do seu lado. Ele vestia uma blusa azul escuro de manga, e uma calça jeans. Todas suas ações pareciam ser pensadas, executadas com cuidado, ele cruzou os braços contra o corpo, esperando. Além da luva localizada na cintura, ele também tinha uma arma, que mesmo no escuro, brilhava. Presente de ES35 que entrou no quarto quando eles estavam prestes a sair. Chateada por terem ido sem ela.

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