A tela não era uma das melhores, não igual a da T.O.C.A, mas era o necessário. Seu peito doeu, como podia sentir tanta falta de um lugar. A verdade era que não gostava de mudar, ainda mais quando as coisas estavam bem. Se fosse olhar de um lado nada estava realmente bem, eles fugiam de Imperatore e L3 havia sido pega. Mas desde a Escolha, para P50, as coisas melhoraram de uma maneira absurda.
Era baixo o suficiente para olhar a tela sem problemas, mas mesmo assim ele se curvava, mantendo o antebraço na mesa. Dylan trabalhava com agilidade, do lado oposto. Seu conhecimento era grande, P50 gostava daquilo, de ter alguém que entendia o seu mundo. Essa era a função do rapaz, assim que ele ajudava a família DeLuca, entrando no sistema de Imperatore, descobrindo, vigiando, era o que fazia. Muito impressionante.
Já havia desistido de entrar no sistema de Imperatore, estava muito mais difícil do que imaginava, mas Dylan era persistente. O Programador sabia que sua maior dificuldade era entrar. Invadir nunca foi sua maior qualidade, ele gostava de construir, programar.
L4 continuava sentado em um banquinho, observando o trabalho de Dylan do mesmo modo que o garoto fazia. De vez em quando comentando alguma coisa, P50 sabia da dor que ele deveria estar sentido, mas mesmo assim, estava começando a ficar irritado. Ele o conhecia bem para saber como ficava enjoado quando sentia sono, e era exatamente como estava.
— Nada? — perguntou L4, pela vigésima sétima vez, em menos de uma hora.
Dylan não respondeu, na verdade ele nem se mexeu, mantendo a cabeça baixa, os dedos na tela. A única ação que mostrava que havia escutado foi um longo suspiro. O dia parecia bem mais longo do que imaginava, eles demoraram um pouco para planejar se realmente daria certo, e passavam algumas horas tentando acessar, mas nenhum resultado ainda. Com certeza se tivessem, estariam gritando e pulando de alegria, o que não passava nem perto da realidade.
— L4, você não tem nenhum saquinho para bater? — perguntou P50.
Ele o olhou, sério.
— Você podia parar de chamar de saquinho? — respondeu — É um saco de pancadas e é praticamente maior que você.
— Isso é um não? — L4, acenou com a cabeça. O rapaz sabia que não havia, mas ter esperanças nunca era demais — Que tal trezentas flexões? É prático, você só precisa de um chão.
— Já fiz.
— Segundo round?
L4 cruzou os braços contra o corpo. Ele entendia, P50 sabia que sim. L4 era o tipo de pessoa que era capaz de ler os mínimos detalhes de uma conversa, e praticamente saber o que você quer dizer antes mesmo das palavras saírem da boca. L3 também era assim. Pensar nela trouxe de volta o momento no elevador, ele sentia a sua falta.
— Mais para quarto — disse L4, levantando do banquinho em direção ao corredor.
Dylan, agradeceu em voz baixa, mas o rapaz não conseguia parar de pensar em quanto mil e duzentas flexões eram bastante. Ele já havia tentando se esforçar no mundo saudável, com L4, batendo no saquinho da T.O.C.A. O que só causou dor, já que até mesmo bater, doía o pulso. Não era o seu mundo e ele também não se importava, sabia no que era bom e manteria assim.
Agora só havia os dois na sala, o sol já havia desaparecido há um tempo, já estava quase dando dois dias sem L3, e mesmo que acreditasse em M10, ele ainda olhava para o programa, esperando algum sinal, mas nenhum aparecia e duvidava que aconteceria.
Seus olhos observavam Dylan, com sagacidade. Era útil observá-lo, naquelas poucas horas havia aprendido muito. O rapaz levantou a cabeça rapidamente, apenas para observar a sala e voltou a fixar a tela.
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A Última Vida
Science FictionEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
