O hotel Matriz entrou em foco, algumas pessoas andavam por perto, a menina passou por eles em silêncio, o cuidado precisava ser em dobro. Já havia muita gente andando pela rua, procurando. Ela tinha passado perto de alguns, felizmente não haviam notado sua presença. L3 não tinha medo de lutar com eles, tampouco vontade.
A garota empurrou a porta, dois homens e uma mulher, vestidos de preto, estavam na recepção, falando com Micaela. Cada um segurando uma arma. L3 chamou a atenção da garota que fez um sinal negativo de leve com a cabeça. A Lutadora recuou e ficou do lado de fora, colada nas portas, mantendo-a entreaberta para conseguir ouvir o que se passava do lado de dentro.
— Então não seria problema se a gente desse uma olhada — disse uma voz masculina.
Entre as portas ela conseguiu ver quem havia falado. Um homem careca, magro, com uma tatuagem na cabeça. A tatuagem ia da testa até o pescoço, passando por toda a nuca. Ele segurava um bastão, trocando de mão em mão, tentando assustá-la.
L3 se surpreendeu com a calma de Micaela para lidar com aquela situação, ela não parecia estar nem um pouco assustada. Provavelmente não era a sua primeira vez. Micaela repousou os olhos em cada um dos três e abriu um sorriso.
— Não será necessário, afinal o hotel é meu — disse — Te dou minha palavra que não vi nenhum deles por aqui.
— Espero que não — disse a mulher, indiferente — Pelo seu bem.
Ela girou em direção a porta e começou a andar. L3 notou que mancava. Pelo fim da calça, era visível que usava uma prótese. Uma careta de dor aparecia em seu rosto a cada passo que dava. O homem tatuado também começou a andar na direção da porta, aparentemente rendido.
A chuva havia parado, mas L3 ainda estava encharcada, a roupa colada em seu corpo. Ela soltou um pequeno suspiro, exausta. Pressionou as mãos na testa, tentando de alguma maneira aliviar a dor de cabeça que sentia.
— Espera aí — disse o terceiro homem — Eu acho que ela está mentindo. Olha o chão. Alguém passou por aqui.
L3 colou o rosto na porta para ver melhor, havia passos de água pela recepção. Deveria ser de L4, tão molhado quanto ela. Sua mão fechou em punho, se eles resolvessem entrar dentro do prédio ou machucasse Micaela, iria intervir. A corrida tinha ajudado com a raiva, mas ainda existia muito dentro dela, implorando para sair.
— Bem... Eu tenho clientes — respondeu Micaela — E incrível que pareça, vocês não foram os únicos idiotas atrás de uma estúpida recompensa.
O sorriso tinha sumido, seu rosto transformado em uma pessoa diferente. L3 lembrou de seu tempo na rua, tudo isso predominou para tornar-se quem era. Com Micaela era a mesma coisa, os sofrimentos dela, a fizeram uma mulher forte.
— Vocês sabem o caminho da porta — concluiu, dando as costas para os três.
O assunto encerrou. Com relutância eles foram se recolhendo, devagar. L3 afastou-se da porta, colando as costas na parede. Ela ajeitou o boné e quando os três atravessaram a porta ela deslizou para dentro antes que notassem sua presença.
A recepção estava quente, calorosa. A madeira queimando pouco a pouco na lareira. O fogo, belo como sempre. L3 olhou para o piano, não conhecia nada da música, imaginou-se tentando tocar, o desastre que seria. Mas ela ouvia o som do mundo, e o entendia. Tinha um ouvido bem treinado.
Micaela organizava algumas coisas no balcão, mexendo chaves de lugares. Ela aparentava tranquilidade mesmo depois de receber e expulsar três convidados indesejados. Sua boca estava fechada em uma só linha. O cabelo solto, caindo em ondas sob seus ombros.
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A Última Vida
Fiksi IlmiahEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
