O rapaz olhou para os lados, muitas pessoas haviam entrado na Quinta Torre, deixando andares lotados e movimentados. Não importava para onde olhasse, sempre havia alguém. A maioria agora se espalhava entre as outras Torres. Não tinha exatamente certeza do que estava acontecendo, mas tinha suas hipóteses. ES9 virou a direita, chegando na sala de Imperatore, que havia chamado pela sua presença
Imperatore já o esperava do lado de fora e com um aceno de cabeça começou a liderar o caminho. Alguns soldados passaram ao seu lado, parando de frente a Imperatore. Eles tinham os olhares vidrados, como se fossem estátuas. Seus corpos se mexiam em sincronia, dando a impressão de serem computadorizados.
— Torre Quatro, podem ir — ordenou, Imperatore.
Os soldados se dispersaram, fazendo o que foi ordenado. ES9 olhou de relance para trás, Sexto, tinha explicado Imperatore. Aquilo o assustava de todas as maneiras, Imperatore formava um exército de pessoas que talvez nem o apoiariam se tivessem controle total sobre suas decisões.
ES9 havia observado desde que chegara nas Torres, todos os hábitos e ações, ou no caso, a falta deles. Nenhum deles se movimentavam se não fosse ordenado, não entendia como a ordem era emitida, mas enquanto não fosse, a pessoa ficava parada em seu lugar olhando para o horizonte, as mãos ao lado de seu corpo, ereto.
Ele havia feito o teste. Passou a mão em seus rostos, tentou distraí-los e até gritar, mas nada funcionava. Não tinha nada que os tirasse da posição inicial.
Imperatore continuou andando, passando por mais alguns corredores e abrindo a porta de uma sala. Ele olhou em volta. A sala era pequena, não tinha nenhum objeto além de uma cadeira onde uma mulher sentava. Ele tentou ver seu rosto mas a garota estava apagada, com a cabeça pendurando para frente, o cabelo cobrindo seu rosto.
Ele piscou algumas vezes, tentando não ir em sua direção. A porta fechou com um estrondo e Imperatore deu um sorriso, os olhos vermelhos brilhando na pouca iluminação do quarto, havia apenas uma luz no teto, que pairava sobre a mulher. Imperatore tinha o cabelo perfeitamente penteado para trás, anteriormente, no começo da Escolha, aparentava ser muito mais novo, na idade dos Escolhidos, agora, parecia que a falta de vida o envelhecia.
— Não tenha medo, ES9 — disse, tranquilamente — Ela está amarrada.
O rapaz concordou com a cabeça. Não era exatamente da garota que ele sentia medo. Imperatore chegou perto da menina, agachando ao seu lado.
— Ela fez algo que eu não gostei — disse, colocando a mão no ombro da garota, descendo pelo seu braço — A dois dias atrás estávamos procurando o grupo que liderou o ataque contra alguns soldados na zona leste. Adivinha quem estava no controle?
Imperatore afastou o cabelo do rosto da garota, revelando uma jovem de no máximo vinte quatro anos. Ela tinha os lábios finos e um óculos mal posicionado no rosto, havia sangue na sua bochecha que escorria de um machucado na cabeça. Uma parte de si ficou feliz por não ser ninguém que conhecia.
ES9 aguardou, sem entender a necessidade de tudo aquilo. A garota se mexeu levemente e Imperatore soltou seu cabelo, ficando ao lado do rapaz. Ele se endireitou, o fixando por bastante tempo. De repente levou a mão na cintura, puxando uma arma e entregou para o Escudeiro que segurou, confuso.
— Para que isso?
Imperatore passou a mão pelo cabelo.
— Eu quero que você a mate — disse, como quem pedisse algo simples.
ES9 olhou para a arma fria em suas mãos e virou para a jovem. Nunca em sua vida havia matado Humanos, afinal não era essa a sua luta, foram feitos para protegerem os Humanos. Seu coração começou a bater mais rápido. A moça soltou um grunhido, movendo-se novamente.
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A Última Vida
Science-FictionEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
