C5 estava sério, encostado em um dos batentes da porta, alternava seu olhar para L2 e seu relógio de pulso. Normalmente aquele dia seria de muito felicidade, eles estariam comemorando e tentando esquecer de todos os problemas. Haviam matado Imperatore pela segunda vez. Era um grande feito.
Mas sentiam como se fosse errado comemorar, afinal Imperatore não havia sido o único a morrer. Em silêncio eles deram adeus para A6. Pelo tanto de pessoas que já haviam perdido a lógica seria não mais se importar, ou ao menos se acostumar. Mas cada perda vinha em dor total, cada um deles eram especiais.
Depois do momento L2 se isolou em um dos prédios, um pequeno lugar que eles gostavam de ir por causa da vista. Cada lugar da cidade se tornava possível ver naquele prédio, e com o dia escurecendo ficava ainda mais bonito.
C5 finalmente notou a sua presença, abrindo um sorriso forçado.
— Como ele está? — perguntou, aproximando-se.
Da porta ela conseguia ver o rapaz, sentado em uma das janelas, a perna junta ao corpo, observando o pôr do sol. C5 olhou para o seu relógio novamente.
— Na mesma posição por quase uma hora.
Ele parecia cansado, quem não estaria? Haviam acabado de lutar contra Imperatore, que provavelmente voltaria naquela mesma semana, diferente deles, com a memória totalmente completa. Ela odiava Quarter por isso. O rapaz ajeitou a blusa e colocou as mãos dentro do casaco, abaixando a voz.
— E o PEDDE? — perguntou C5.
— Eu escondi.
— Não me conta. Quanto menor o número de pessoas que souber, melhor será.
A garota concordou com a cabeça e o abraçou. O rapaz correspondeu o abraço, apoiando a cabeça em seu ombro.
— Você deveria falar com ele. Se ninguém falar, vai ser pior — disse, a voz abafada.
L3 concordou com a cabeça e sem esperar duas vezes entrou na sala. C5 era uma das pessoas mais legais que conhecia, se tornando um grande amigo, o rapaz deu as costas indo na direção do elevador, deixando os dois a sós.
A garota se aproximou da janela, apoiando seu corpo na parede. A vista era realmente uma coisa linda, apesar da cidade ser tão movimentada a natureza ainda estava presente de alguma maneira.
L2 olhava diretamente na direção das Torres. Os olhos azuis lacrimejando. Era difícil ver o amigo daquele jeito, mas era uma realidade que nenhum deles poderia escapar. Ela mesmo sentia o peso da morte de A6, só não na quantidade de L2, que a amava mais que tudo.
— É engraçado que mesmo ganhando, a gente ainda perde — disse L2, a voz falhando — Como é que isso funciona?
L3 decidiu ficar calada, não era muito boa em confortar as pessoas. E não tinha como responder aquela pergunta, ele tinha razão, sempre perdiam alguém, o ciclo era esse. Ela também gostaria de saber porque era assim, porque não poderia ser diferente.
— Eu fiz a minha parte, L3. Quando eu morrer você é a responsável por acabar com isso. Por trazer justiça pelo tanto de Escolhidos que já faleceram, entende?
A garota confirmou com a cabeça, entendia perfeitamente. Era por isso que treinava e aprendia tanto. Para conseguir ser uma boa líder e liderar a vitória contra Imperatore, que por mais que parecia difícil não era impossível.
L2 ficou de pé, ajeitando-se ao seu lado. L3 se lembrava no dia que a mostrou a T.O.C.A, quando treinaram pela primeira vez, das suas instruções. Não gostava de pensar que um dia o perderia, talvez conseguisse matar Imperatore antes. O menino a olhou nos olhos pela primeira vez.
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A Última Vida
Science FictionEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
