Capítulo 28 - Pela primeira vez em anos, tinha um nome.

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As amarras estavam em seu pulso. Cabos ligando um aparelho a algumas partes do seu corpo, como o abdômen e os braços. Ela olhou em volta, pensando que talvez, eles haviam esquecido de si. Fazia algum tempo que acordara, completamente sozinha no quarto. Não que estivessem muito preocupados em deixá-la só, já que estava firmemente presa em amarras, forçando-as a algum tempo.

A sala era pequena, não tinha espelho, mas havia uma câmera que piscava no canto da parede. As paredes, todas brancas, como as outras. Ela se perguntava quantas salas macabras poderia haver naquele prédio.

Os cabos eram ligados em um aparelho azul, a ponta era achatada, grudando em sua pele. Não doía, mas era gelado de uma maneira desconfortável. A garota arrancou dois dos fios, que estavam ligados no seu ombro, com os dentes. Não sabia para o que servia, mas de qualquer maneira, não deveria ser coisa boa. No seu pulso havia um diferente, não era ligado no aparelho, e trazia um líquido transparente, injetando em seu corpo.

A porta abriu. Zen entrou com seu sorriso típico, vestindo uma calça folgada, chegando até seu calcanhar. Uma blusa v, que deixava seu peito à mostra, e o sobretudo preto. O que a impressionou mesmo foi ES9 entrando logo após. O rapaz estava horrível, grandes olheiras, ainda mais pálido que a última vez que conversaram, de volta no beco da Academia.

— E... Eu ganhei — disse Zen, feliz — Eu apostei que você arrancaria os cabos que estivessem ao seu alcance. Loirinho, apostou no contrário.

— É, e por que você faria isso? — perguntou L3, olhando para o Escudeiro.

Ele parecia um pouco desconfortável com o apelido, ou talvez por precisar falar. A garota pensou que era claro seu ódio contra aquele lugar, e a repulsa por ficar tão próxima de Imperatore. Mas o menino deu de ombros, olhando-a pela primeira vez.

— Pensei que você gostaria de lembrar — disse em voz baixa.

Ela desviou o olhar, pensando. Realmente gostaria de lembrar, mas também sentia saudade de sua família, e claro, o foco principal era matar Imperatore. L3 fechou os olhos por um instante, desde que acordou, sentia uma dor de cabeça muito forte. As memórias começavam a surgir, em grande escala, como em uma cachoeira. Coisas que nunca imaginou, situações que já havia sonhado, tudo se tornando mais claras, limpas em sua mente.

— Vejo que você tem se lembrado de algumas coisas — disse Zen. Não era uma pergunta então L3 ficou quieta — Alguma coisa a ver com o nosso objeto?

— Não — respondeu, com sinceridade.

Eu tentei explodir, mas não consegui, disse C5. Não sabia exatamente sobre o que, poderia ser muitas coisas. Zen a olhou por um instante pensando se insistia ou não, mas acabou dando de ombros. Ele arrumou o fio do ombro direito, que a garota havia arrancado. ES9 foi do outro lado, arrumar o da esquerda.

Sua respiração estava pesada, como se algo o sufocava, ela pensou um pouco, finalmente se lembrando, que o garoto era claustrofóbico. Ficar preso naquele quarto, não deveria ser uma das melhores sensações.

— Você está bem? — perguntou L3. O garoto a olhou, confuso. Seus olhos perguntando a mesma coisa que a garota pensava, por que se importava?

— Não deveria ser eu quem perguntasse? — disse ES9. A garota se lembrou do seu olhar na Academia, você teria me matado. Ele posicionou o cabo de volta ao lugar.

— Eu não estou parecendo como se estivesse prestes a desmaiar, estou?

ES9 a olhou, e se distanciou novamente, sem responder, ficando ao lado da porta. Ele cruzou os braços contra seu corpo. L3 sentiu seu coração acelerar, não sabia exatamente porquê. Suas mãos começaram a suar, seu corpo ficando quente.

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