Capítulo 35 - L2.

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— Dylan, não é isso que a gente quer dizer — explicou P50, totalmente desconfortável.

Dylan estava no canto de sempre, segurando o objeto entre os dedos, mas dessa vez encarando os Escolhidos diretamente. L3 atravessou totalmente o portal e o fechou, havia descoberto muitas coisas atualmente, como a possibilidade de manter dois portais abertos ao mesmo tempo, com um pouco de concentração.

— Então o que você quer dizer? Eu consigo ver no olhar de vocês — disse Dylan, em voz alta, apontando na direção dos Escolhidos — Vocês não acreditam.

— Cara, todo mundo aqui sente falta de M10, entendeu? A gente realmente queria que ela voltasse, mas infelizmente isso não vai acontecer — disse Pi14, calmamente.

— Ninguém nunca voltou dos mortos depois das três vidas — disse L4.

Dylan olhou para eles e abriu um sorriso.

— Mas ninguém nunca doou as três vidas — disse — Todos os Médicos, possuem a possibilidade de doar vidas, mas apenas M10 doou as três. Talvez se eu entender a maneira que o programa é criado eu posso saber o que aconteceu.

O lugar ficou em silêncio por um longo tempo. Alice DeLuca estava em um dos cantos, olhando Leonardo desenhar, mas mesmo assim dava para notar que escutava a conversa. Dylan era amigo deles, estavam trabalhando juntos fazia tempo, e dava para perceber o carinho que ela tinha pelo rapaz.

— Não tem o que descobrir Dylan, a gente não quer se encher de falsas esperanças — disse ES8, uma lágrima escorrendo pela bochecha — Ela se foi.

Dylan respirou fundo, ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas acabou fechando.

— A gente só quer que você se cuide, entende? Você está um pouco muito descuidado — disse P50, com um sorriso — Nunca vi seu cabelo tão desarrumado.

Dylan correspondeu o sorriso, mas logo sua feição voltou a ficar sério. Não era apenas tristeza em seu olhar, mas também uma sensação de incompreensão. L3 se ajeitou, notando.

— Por que você não tira o dia de folga e aproveita para dormir? — disse Pi14.

— Já faz três dias que você nem se move da cadeira — acrescentou P50.

— Não, vocês não entendem — disse Dylan, quase gritando — Vocês não entendem.

O rapaz colocou as mãos na testa, afastando os cabelos em um movimento rápido. Todos o olharam, sem saber o que falar. Dylan alcançou o objeto e saiu da sala, indo na direção do corredor, com passos longos. A sala ficou novamente em silêncio, mas dessa vez ainda mais desconfortável. Após algum tempo as pessoas começaram a se dispersar, L3 girou no calcanhar e entrou no corredor, indo para os quartos.

Havia uma porta aberta, e era aquela específica que procurava. A garota chegou perto, apoiando o corpo no batente da porta. ES8 havia explicado que aquele havia sido o quarto que M10 e E35 compartilharam nas últimas semanas. Então fazia sentido ser o quarto que o rapaz iria.

Dylan estava sentado na ponta da cama, com as mãos na cabeça, vendo apenas o chão. O quarto era idêntico ao que L3 estava, com poucos pertences, um banheiro e uma janela que dava para o horizonte.

L3 não havia visto os dois juntos nenhuma vez além do dia da morte de M10, mas era óbvio o tanto que a garota significava para ele. Dylan se ajeitou, levantando o olhar para o horizonte.

— Sabe o que M10 gostava muito? — perguntou L3. O olhar do rapaz virou em sua direção, notando-a pela primeira vez — Da liberdade, de poder ir onde quisesse, poder enxergar o mundo. Ela odiava passar o tempo todo na T.O.C.A.

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