Durou praticamente um segundo e as luzes se acenderam.
A espada fincou no assento que estava um segundo depois de ter se movido. Uma sensação quente tomou conta do seu corpo, notou que não sentia medo, ia enfrentar. O encapuzado tentando alcançar a espada, levou um chute e caiu no chão. Ela puxou a espada e acertou-o, sem hesitar, na única fonte de luz. Ele sumiu.
— Menos um — murmurou, caminhando para o segundo.
Sentia uma certa familiaridade, como se não fosse a primeira vez. Afinal, como sabia que acertando a luz o mataria? Ela afastou o pensamento, não era o melhor momento.
O encapuzado, usando a espada, a golpeou na direção da cabeça, a menina agachou, sentindo o ar frio do golpe sobre si. Por alguma razão a cena parecia estar em câmera lenta, possuía ótimos reflexos. O encapuzado tentou mais uma vez, na altura da cintura. Com um passo para trás, desviou-se. Outro golpe na linha da cabeça, ela se abaixou e contra atacou, acertando-o no peito.
O encapuzado não evaporou. Ficou imóvel no chão. A menina o ignorou. Faltavam três. Eles fizeram um círculo ao seu redor. Sabia que lutar contra um era mais fácil que lutar contra os três ao mesmo tempo, mas não havia a possibilidade de escolha.
O encapuzado a sua frente fez um movimento, como se fosse atacar. Nesse pequeno momento de distração, sentiu um chute no seu joelho. Cambaleando um pouco, defendeu-se do golpe do encapuzado da frente. Com esforço, empurrou-o para trás, tentando acertá-lo com um golpe no peito. Mas o terceiro encapuzado a jogou com força contra a porta do metrô, que ainda se encontrava em movimento.
Involuntariamente, soltou a espada, que deslizou sobre o chão gelado do vagão. Se tivesse sorte o metrô pararia e ela poderia correr para se salvar. A ideia se esvaiu de sua mente no momento em que levou o segundo chute na perna. Soltou um gemido de dor, não tinha como correr mais que eles. Tentou alcançar a espada, arrastando-se rapidamente, sentiu os desenhos do cabo entre seus dedos, se não estivesse com pressa teria admirado aquelas formas.
Segurou firme a espada e tentou se levantar. Um chute forte, no machucado de seu abdômen, a jogou no chão. Tentando desesperadamente puxar o ar para seus pulmões, tossiu algumas vezes, sua garganta fervendo. Queria vomitar mas não havia nada em sua barriga. Um pé, lentamente, esmagou sua mão. Involuntariamente soltou a espada, tinha se esquecido que ainda a segurava.
Uma mão enluvada a segurou pelos braços, botando-a de joelhos. O outro encapuzado, apontou a espada diretamente no seu pescoço, o aço frio em contato com sua pele. Esperava algum deles pronunciar seus crimes. O que teria feito de tamanha decadência, para ter um fim como esse?
Olhou desesperadamente em sua volta, buscando uma escapatória. A mão ainda a segurava, tirando suas esperanças de fuga. Conseguia sentir o machucado voltar a sangrar. Pela janela era possível ver as luzes do túnel passando apressadamente. Desejou ser uma dessas luzes.
Um corte mínimo em sua garganta a retirou de seus devaneios, sentiu a gota de sangue descer pelo seu peito. O encapuzado segurou a espada com mais força, levantando-a devagar para pegar impulso. Morreria sem saber seus crimes, sem saber quem era. Olhou diretamente para o encapuzado. Encarando a morte. A escuridão dentro de seu capuz, era vazio, triste. Um arrepio percorreu seu corpo.
Encarou, com curiosidade, a pequena fonte luminosa, mas não era mais a do capuz. Uma pequena luz azul começara a surgir nas costas do encapuzado. A espada começou a descer, parando na frente do seu rosto. A cena parecia ter congelado. O encapuzado olhou para baixo, a garota percebeu finalmente o motivo de sua hesitação. Uma espada atravessava seu peito escuro.
O portal, abriu-se por inteiro, e por ele atravessou um rapaz. Não tinha muito tempo para raciocinar o que estava acontecendo. No momento em que o encapuzado caiu, a mão em seu ombro, relaxou por um pequeno instante. Tempo suficiente para derrubá-lo no chão. O outro encapuzado avançou rapidamente na direção do rapaz. Um contra um, pensou. A adrenalina pulsando em suas veias, a animação voltando.
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A Última Vida
Science FictionEm um mundo futurístico os países se destruíram em caos. A única maneira foi juntar todos os sobreviventes em um novo e único país, liderado agora por apenas uma pessoa, Imperatore. O que ninguém sabe é que esse líder foi o responsável por todos os...
