Capítulo 17 - Hotel Matriz

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M10 sentou no chão gelado, respirando rápido, não estava acostumada com tanta emoção, E35 agachando-se ao seu lado, massageou suas costas. PI14 havia se afastado um pouco do grupo, apoiando-se em uma parede, de costas a todos.

— Para onde vamos? — perguntou a Engenheira — Podemos ir para o Xis? Bateu até uma saudade daquele lugar, tem uma sala legal para Engenheiros.

Xis era outro abrigo dos Escolhidos, praticamente o terceiro maior, se localizava em um dos grandes prédios da cidade. A T.O.C.A como principal, abrigava a todos, sendo o melhor lugar para trabalhar e morar. Além disso era o único lugar que possuía um quarto separado para cada um dos Escolhidos. Havia seis a oito abrigos separados ao redor do país, nem todos subterrâneos. L3 se admirou por se lembrar disso.

— Não... Não podemos ir para nenhum de nossos abrigos — respondeu P50, abrindo seu objeto prateado.

— Por que não?

— ES9 gravou todas as informações da T.O.C.A, inclusive o local dos nossos abrigos — respondeu o menino, agora com uma tela nas mãos — Não podemos voltar para lá.

— Desgraçado! — disse E35.

A menina se levantou, pondo a mão na cabeça.

— O que fazemos agora então? — perguntou a Médica, com a voz baixa.

O cansaço era evidente em todos, até L3 sentia seu corpo pesar.

— Sair das ruas e achar algum lugar para passar a noite — disse a Lutadora.

A menina havia passado grande parte de sua vida nas ruas, mas não se lembrava de algum lugar que fosse seguro para seis pessoas. Lembrou-se da Academia de seu Mestre, mas não sabia se ainda existia, ou o mais importante, como fazer um portal.

— Eu conheço um lugar — disse L4.

O rapaz foi para o meio e fechou os olhos, aparentemente não tinha nenhum problema em se lembrar daquele lugar, pois uma luz azul começou a surgir rapidamente. Não havia nem terminado o círculo com a espada e o portal já se abria. PI14 se aproximou do grupo novamente, não tinha comentado nada até então. L3 deixou o menino em paz, o dia não havia sido fácil para ninguém.

A travessia foi tranquila. L3 foi primeiro, observando se o lugar era seguro. Estava em um beco escuro, só. Um letreiro vermelho, no final, era a única fonte de luz, mas a garota não conseguia ler da distância que se encontrava. Rapidamente os outros atravessaram, L4 sendo o último.

— Ok! Vem comigo — disse o rapaz, liderando o caminho.

Matriz, era o nome do lugar. A rua estava vazia e o prédio era velho, se não fosse pelo letreiro, pensaria que estava abandonado. Algumas teias de aranha confirmavam isso. L4 abriu a porta dupla, todos o seguiram. Havia um balcão, no final, com uma pequena campainha. Um tom amarronzado dominava a sala de recepção, PI14 tinha encontrado um piano velho, e o admirava, passando seus dedos delicadamente sobre as teclas, sem emitir nenhum barulho. A menina se perguntava como L4 conhecia aquele lugar.

Umas cadeiras empoeiradas mostravam que ninguém sentara ali há algum tempo. Havia alguns livros nas estantes, lamparinas e velas iluminavam o lugar. Uma lareira no canto direito esquentava a sala. Era um mundo tecnológico mas também pobre, nem todos poderiam pagar do bem e do melhor.

L4 um pouco hesitante apertou a campainha, ecoando um barulho agudo pela sala. Havia uma escada que provavelmente levava na direção dos quartos, e um elevador do lado direito, mas foi de trás da parede do balcão que uma menina apareceu. Ela soltou as toalhas que segurava no momento em que viu o rapaz.

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