Ela cresceu acreditando que o mal era uma herança.
Um sangue antigo.
Um erro que precisava ser controlado.
Uma maldição que jamais deveria despertar.
Durante anos, lutou contra os sussurros da escuridão dentro dela. Contra a sensação inexplicável de...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
O chão sumiu. O vento cortou meu rosto enquanto o galho do carvalho ficava para trás, mas o impacto que a física exigia nunca veio.
A mão de Aszel, firme como uma garra de seda, puxou-me para o centro do peito dele. Senti o calor do corpo dele através da camisa — um incêndio contido que cheirava a metal e tempestade. Ele me girou no ar com uma calma insultuosa, recebendo todo o peso da queda. No momento em que o disparo de um rifle estourou o silêncio da mata, o mundo virou apenas vácuo e vertigem.
Eu caí. Mas os braços dele me seguraram com uma facilidade que me deu nojo. A aterrissagem foi suave demais para ser real. Quando meus pés tocaram a terra úmida, ele continuou ali, colado a mim. Sem a máscara, o rosto dele era uma afronta; a beleza era uma arma e os olhos vermelhos fixos nos meus deixavam claro que ele estava saboreando o meu pânico.
Ele inclinou a cabeça, o hálito quente roçando minha bochecha. — Você sempre cai, gracinha — ele murmurou, a voz vibrando direto na minha coluna. — E eu sempre seguro.
Recuperei o fôlego e tentei empurrá-lo, mas os mascarados já se fechavam ao redor. De perto, eles eram piores. Não eram apenas homens fantasiados; o som que saía por trás das máscaras era um rosnado animal, uma mistura de zumbis famintos e predadores que haviam perdido a sanidade há séculos. Eram a personificação do pecado, cascas vazias de demônios que agiam por puro instinto.
— Vai terminar logo com isso? — a mulher gritou, a voz estridente. Ela lambia a lâmina da faca com uma fome que não era humana.
Aszel não respondeu a ela. Seus olhos vermelhos estavam fixos em mim, intensos e devoradores. — Eles querem te matar — disse ele, como se estivéssemos sozinhos. — Não por ódio. Por medo.
— E você? — retruquei, o sarcasmo sendo minha única defesa. — Não quer a minha cabeça também?
Um sorriso lento e sádico curvou a boca dele. — Se eu quisesse, gracinha... você já estaria morta. Eu não mato o que me pertence.
O aperto na minha cintura se firmou. — Ela é humana! Já foi decidido! — a mulher avançou, impaciente. — Humana... — Aszel repetiu, a palavra saindo como um deboche ácido. — Vocês enxergam tão pouco.
Ele voltou a me encarar de um jeito estranho. Não como quem olha para quem eu era agora, mas como quem reconhece algo antigo sob a minha pele.
— Você não se lembra de nada, não é? De quem você foi?
— Lembrar do quê? Do seu nome em um hospício? — sibilei.
Antes que ele respondesse, outro disparo cortou o ar. A bala passou onde eu estava um segundo antes. Então o ar mudou. Ficou mais leve. Mais claro. Aszel enrijeceu, os lábios se comprimindo em uma linha de irritação profunda.
— Ah... ele — murmurou.
A luz começou a se formar entre as árvores, branca e limpa, obrigando os mascarados a recuar como animais acuados. A figura surgiu aos poucos: alta, firme, envolta por uma presença que não pesava — sustentava.