Capítulo 99

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A Marquesa Westlake, Susan Dashwood Talbot, voltava para casa em sua carruagem, acompanhada por sua irmã, Lady Reginald e sua sobrinha Isabela.

As duas conversavam animadas sobre as compras, o passeio e principalmente, sobre terem encontrado as amigas e o senhor Hewitt.

Susan fingia atenção, mas sua mente estava distante, muito distante dali.
Ela estava, ainda, sob o efeito do que vira, e principalmente do que ouvira daquela bela jovem, Portia Michaela Baldwin.

Portia lhe contara, em poucas palavras, que era a filha caçula de Cordelia e Alfred Baldwin, e irmã do atual Conde Meadow, Ian Baldwin.

Que nascera alguns meses depois do triste acidente que vitimara seu irmão mais velho Michael, e por isso seus pais o homenagearam dando a ela a forma feminina de seu nome.

Portia era linda! Gentil e doce.

Susan percebia a sua aura de pureza e bondade. Um verdadeiro anjo.

Susan sentiu seu coração mover-se, e surpresa, descobriu que ainda tinha um coração batendo em seu peito.
Seu coração gelado e morto para os sentimentos, bateu forte e com carinho por aquela menina; bateu forte com um desejo de protegê-la, ampara-la, cuida-la; queria levantar-se e estreita-la nos braços ali mesmo e cobrir seu rosto de beijos.

Ajoelhar-se aos seus pés, e pedir-lhe perdão.

Perdão por não tê-la procurado.

Perdão por ter acreditado naquele homem miserável, seu marido Peter Talbot.

Maldito. Desgraçado.

Peter tirou-lhe a única oportunidade de ser mãe; a única chance que teve de amar; amar de verdade, sem limites e sem receios.

Quando ele descobriu que ela estava grávida de Michael, viu neste fato, a oportunidade de livrar-se da pecha de estéril e incapaz.

Eles já eram casados há anos e ela nunca engravidara dele.
Peter a acusava dizendo que a culpa era dela. A ridicularizava em frente aos amigos e até de seus familiares.

Muitas vezes foi comparada por ele a uma mula, por que dizia a todos que ela era incapaz de procriar.

Miserável.

Susan nunca se arrependeu de tê-lo traído todas as vezes que pode.
E foram muitas. Com homens... com mulheres.
O que lhe fazia feliz era humilhá-lo, sem dó. Não importando quantas vezes ele descobrira e a castigara, forçando-a a estar com ele, a entregar-se a ele, até mesmo com uso da violência.

Michael Baldwin foi um sopro de frescor em sua vida, um sopro de esperança.

Jovem, bonito, inocente.

Ela foi sua primeira mulher, e ensinou-lhe tudo.

Ele era apaixonado, totalmente apaixonado por ela.

A sensação de dominá-lo, tê-lo a seus pés, era enebriante. Ela não conseguia resistir a fazer dele o que quisesse, e se divertia com isso.

Fazer-lhe ciúmes com outros amantes, fingir que já não o queria, mandá-lo embora de sua cama de madrugada apenas para vê-lo chorar desolado e humilhar-se, pedindo de joelhos para ficar.

Susan não sabia o que lhe dera mais prazer, se fora ser amada ardentemente por ele em sua cama, ou se fora vê-lo assim, sempre rastejando por ela, implorando sua atenção, mendigando seu amor; vivendo somente para servi-la.

Hoje ela tinha noção de que Michael era um rapaz inocente, que a amou muito. E algumas vezes, poucas na verdade, sentira falta dele.

Depois do fatídico dia em que Peter deu cabo da vida de Michael, ela descobriu-se grávida, e por incrível que pareça, não pensou em tirar a criança.
Ela já tinha estado grávida antes, de outros amantes, mas nunca deixou que fosse adiante; livrava-se do incômodo assim que descobria.

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