Marine VS The Note

61 2 0
                                        

[ELLIE]

E quando finalmente parecia que estava a voltar tudo ao normal, eis que aparece a Samantha.

Não sabia o que ela queria. Apenas sabia que havia uma enorme paranoia pelo John.

Apesar de nós não estarmos a cem por cento, eu não vou deixar o caminho livre para qualquer mulher. Eu amo o John e é ele quem eu quero para o resto da minha vida.

Hoje é sábado e eu convidei o John para vir passear comigo e com o Kal até ao parque. Claro que ele não hesitou.

A campainha de casa toca e o Kal ladrava excitado para a porta com a cauda a balançar freneticamente para todos os lados.

- Heyy! - diz John assim que abro a porta.

- Olá! - abraço-o e no final ele deposita um beijo nos meus lábios.

- Então companheiro, ouvi dizer que queres ir passear! - brinca com o cão dando-lhe festas na sua enorme cabeça felpuda.

- Ele é bom menino. Merece! - digo com um sorriso ao admirar aqueles dois meninos. - Queres beber alguma coisa antes de ir?

- Não linda. Eu estou bem! - sorri e beija a minha testa.

Saímos de casa e seguimos viagem para o parque. Descubro então que o John havia trazido uma cesta cheia de comida deliciosa feita pela Tris.

- John, não era preciso! - digo olhando para ele.

- A Tris nem ia deixar eu sair de casa sem comida! - ele gargalha e eu acompanho.

- Ok, estás desculpado!

Saímos do carro. Enquanto o John se oferecera para levar a trela do Kal e a cesta, eu ia simplesmente com uma manta nas mãos.

Escolhemos um sítio debaixo de uma árvore. No parque havia famílias a correr e a brincar. Outras, faziam o mesmo que nós, um Picnic.

O Kal havia sido libertado da trela e corria pelo parque. Sorte a nossa que ele é muito bem comportado.

- Como estás? - pergunto.

- Estou bem. Acho que melhor era impossível! - ele sorri. - E tu?

- Estou como tu! - sorrio. - Porém com muitas questões na cabeça.

- Sobre?

- Sobre a Samantha e o porquê de ela aparecer agora.

- Eu sei que é assustador linda. Mas nós vamos fazer com que ela desapareça das nossas vidas. - ele massaja o seu polegar na minha bochecha.

- Como?

- Eu já falei com o meu advogado. E nós vamos encontrar uma maneira de a pôr atrás das grades. Ela não é flor que se cheire, acredita!

Decidi acabar com aquele assunto. Não queria estragar este momento que eu pedia há tempos.

Conversámos, brincámos e rimos de uma forma que não fazíamos há meses. Tudo estava a ser perfeito. Tomei iniciativa para o beijar e acho que ambos estávamos no paraíso.

- Eu vou-te provar que sou o homem que tu mereces, Ellie! - ele diz com a sua testa colada na minha.

- Eu sei... - respondo num sussurro e sorrio.

Começou a anoitecer e decidimos voltar para minha casa. Enquanto ele procurava estacionamento, eu e o Kal entrámos em casa.

Abro a porta e começo a sentir um cheiro intenso a gás. Corro até à cozinha e deparo-me com um papel escrito em cima do fogão.

"Um clique e boom"

Começo a tremer por todos os lados e corro até ao gás fechando todas as torneiras. Abro as janelas da casa.

- Ellie?? - ouço o John a chamar por mim. - Ellie que se passa? Que cheiro é este?

Encontro-me com ele na entrada da casa feita em lágrimas e a tremer por todos os lados.

- Amor... - ele agarra-me preocupado.

Puxo-o até à cozinha e então ele lê o papel.

- Amor, está tudo bem! - abraça-me fortemente.

Encosto a minha cabeça no seu peito e choro tudo o que tinha para chorar.

[JOHN]

Convenço a Ellie a vir para minha casa. Eu não ia permitir que ela ficasse ali aquela noite.

Ela fez uma mala com pertences dela e fomos embora. O Kal estava calmo. Parecia estar a persentir alguma coisa.

Meto a minha mão na sua perna e massajo a mesma. Ela põe a sua mão sobre a minha.

- Vai correr tudo bem! - digo e ela apenas suspira.

Chegamos a minha casa e meto a Ellie o mais confortável possível. Tiro a lasanha que a Tris havia deixado no forno.

- Hey, se precisares de ir tomar um banho, relaxar, estás à vontade! - digo.

- Eu estou bem! - ela sorri.

Ela ajuda com muita insistência da sua parte em compor a mesa para jantar. Aqueço a lasanha e sirvo a mesma em dois pratos.

- Tenho de admitir que tinha saudades dos pratos da Tris! - ela comenta antes de dar uma garfada.

- Ela cozinha muito bem mesmo! - concordo.

O jantar foi calmo. Falámos de temas aleatórios e sinto que acabei de conhecer mais sobre ela.

Descubro que um dos seus maiores sonhos era andar de cavalo ou praticar equitação mesmo. E então eu sabia onde levar a Ellie amanhã.

Depois do jantar e de pôr a loiça na máquina de lavar, fomos para a sala de estar ver um filme. O Kal permanecia sossegado. A sua cama ainda permanecia na sala de estar, no mesmo canto. E ele não se esqueceu, pois foi direito à mesma e adormeceu em segundos. 

A Ellie encosta a sua cabeça no meu ombro e eu passo uma manta nas nossas pernas. Começamos por ver um filme aleatório que dava na televisão. Em minutos ela adormece.

Com todos os cuidados do mundo, pego-lhe ao colo e levo-a para a minha cama. Tiro-lhe o vestido e coloco uma t-shirt minha para dormir mais leve.

Volto até ao andar debaixo e confirmo que tudo está trancado.

- Até amanhã, buddy! - massajo a cabeça do peluche gigante.

Subo novamente para o quarto e deito-me ao lado da Ellie. Admiro-a por longos minutos. Ela era perfeita. Ela era minha. 

[ELLIE]

Acordo com alguns raios de sol na cara. Não estava na sala e não estava com o meu vestido. Olho para o lado e vejo o John a dormir serenamente.

Admiro o quarto em volta e lembro-me de quando ele foi meu também. Todas as memorias voltaram. Todos os momentos felizes e perfeitos que vivemos nestas quatro paredes.

- Está tudo bem? - acordo do transe com a voz ainda rouca do John.

- John... - olho para ele e ele olha para mim assustado. - Faz amor comigo!

MarineOnde histórias criam vida. Descubra agora