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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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O Início da Esperança
Durante anos, Rosalie Hale Cullen abrigou em seu íntimo um desejo que jamais pôde realizar: ser mãe. O fardo da imortalidade trouxe-lhe força, beleza e eternidade, mas também arrancou-lhe um sonho que pulsava silencioso em seu peito. Ao lado de Emmett, encontrou amor e lealdade, mas, ainda assim, sentia-se incompleta. Faltava-lhe algo – ou alguém – que pudesse preencher esse vazio que nem mesmo a eternidade parecia capaz de aplacar.
Europa, Itália – Dezembro de 2012.
Em uma noite fria e agitada, as ruas da Europa vibravam com as festividades de fim de ano. A maioria da família Cullen havia se dispersado em uma caçada necessária, deixando apenas Rosalie, Emmett e Edward vagando entre humanos. Para Edward, a multidão era um tormento: a avalanche de pensamentos alheios pressionava sua mente como mil vozes simultâneas, tornando cada passo um desafio mental. Contudo, foi em meio àquela confusão que o destino se revelou de maneira inesperada.
Um choro infantil, quase imperceptível, rompeu o burburinho das ruas. Os três vampiros se entreolharam instantaneamente, instinto e curiosidade guiando seus passos até um beco próximo, de onde o som parecia vir. A cena que encontraram ali seria gravada para sempre na memória de Rosalie: uma pequena bebê, de no máximo dois meses, repousava solitária em uma cadeirinha térmica, envolta em cobertores e abandonada à própria sorte.
Os cabelos da criança eram de um tom peculiar entre o loiro e o ruivo, e seus olhos – ah, aqueles olhos! – eram de um azul intenso e cintilante, como se carregassem o próprio céu. Rosalie sentiu algo despertar em seu interior, algo que jamais imaginara possível para uma criatura como ela. Ela se apaixonou instantaneamente.
Ao lado da bebê, repousava uma carta lacrada. Rosalie a pegou, mas decidiu lê-la mais tarde, junto à família. Com extrema delicadeza, envolveu a criança nos braços e, num impulso instintivo, os três vampiros desapareceram na noite com sua velocidade sobrenatural, carregando o que, para Rosalie, passaria a ser o pedaço que faltava de sua alma.
Ao retornarem à residência dos Cullen, encontraram a sala iluminada e aquecida. Alice, como uma explosão de alegria, corria em pequenos saltos ao perceber a chegada dos irmãos. Ela sabia que aquele dia chegaria – havia tido visões – mas não imaginava que seria tão rápido. Sua curiosidade era tamanha que seus olhos faiscavam ao tentar vislumbrar a imagem da criança em sua mente.
Assim que Rosalie cruzou a soleira com a bebê nos braços, o ambiente foi tomado por uma energia diferente, sutil, mas perceptível. Edward manteve-se vigilante, atento a qualquer reação de Jasper, que ainda se adaptava à dieta exclusivamente animal. Felizmente, o autocontrole prevaleceu.
Alice foi a primeira a se aproximar, encantada.
— Você sabia, não é? — Rosalie perguntou com um sorriso contido, já conhecendo a resposta.
— Foi por isso que passou duas semanas comprando roupas de bebê? — Edward completou com uma expressão divertida.
— Sim, eu sabia — Alice confirmou, rindo baixinho.