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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 33
"Ser poderosa não é um privilégio, é um peso constante: todos te observam esperando o momento em que você vai perder o controle."
Hope havia aprendido isso desde que soubera de sua verdadeira origem. Dormir era um ato quase impossível quando cada fecho de olhos significava encarar o reflexo sombrio do próprio sangue: um pai que a queria como sucessora ou morta. O mundo inteiro parecia receoso quanto ao que ela poderia se tornar. Ninguém esperava menos do que decisões perfeitas, nenhuma falha, nenhuma hesitação — mas no íntimo, ela ainda era uma garota tentando se manter inteira.
O despertar naquela manhã foi diferente. Sentia a respiração constante e o toque morno das mãos de Dean em sua cintura, um carinho discreto, mas suficiente para que ela soubesse que ele já estava desperto. Na noite anterior, tudo havia sido só beijos e toques contidos — ambos desejavam mais, seus corpos clamavam um pelo outro, mas algo os deteve. Era um limite silencioso que ambos respeitaram.
Hope se virou lentamente para encará-lo. O Winchester afastou-se um pouco, o que a fez resmungar em desaprovação, arrancando dele um sorriso torto. O brilho nos olhos dele sempre a desarmava, mas, como de costume, Dean manteve-se calado, apenas a observando com aquele ar de deboche e adoração silenciosa.
De repente, ele a puxou delicadamente para mais perto, deixando um beijo breve e quente em seu queixo.
— Bom dia, minha ruivinha. — sussurrou ele, a voz rouca de sono. — Fique um pouco mais na cama comigo.
Ela concordou sem pensar, e Dean levantou-se. Hope permaneceu deitada, olhando para o espaço que ele deixara. O corpo estava exausto, mas a mente, inquieta — medo de dormir e, novamente, ser arrastada até a presença de seu pai.
Minutos depois, Dean reapareceu. Nas mãos, equilibrava uma bandeja simples, mas cuidadosamente montada. Um bolinho pequeno, decorado de forma improvisada, com uma vela acesa no topo. O sorriso de Hope floresceu no mesmo instante em que ela se sentou, o olhar marejado.
— Feliz aniversário, minha ruiva. — disse Dean, com genuína alegria.
Ela segurou as lágrimas, mordendo o lábio. A bandeja foi posicionada sobre suas pernas.