Classificação indicativa: +20
Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Capítulo — Despertar da Loba
Hope caminhava em passos lentos pela trilha de pedras que levava até a porta da cabana. O vento cortante da noite gelada fazia os cabelos castanho-avermelhados esvoaçarem ao redor de seu rosto, mas ela parecia não se importar. Seus pensamentos estavam distantes, embaralhados, presos entre o cansaço físico e o peso mental que carregava desde que tudo havia mudado.
Na varanda, Dean Winchester limpava uma das armas com uma calma ensaiada. Quando seus olhos encontraram a figura de Hope se aproximando, percorreu com atenção cada centímetro do corpo da jovem híbrida. O jeans justo, o casaco levemente aberto revelando parte da clavícula e a firmeza no olhar — mesmo quando ela tentava esconder sua vulnerabilidade. Ele sorriu, cínico.
— Como foi a escola, pirralha? — perguntou, com o tom provocativo habitual.
— Foi péssima, velhote. — respondeu ela, arqueando uma sobrancelha, os lábios curvados em um sorriso lateral que desfez a tranquilidade do Winchester.
— E por que foi péssima? — ele perguntou novamente, agora menos provocativo, voltando sua atenção para o pano que deslizava pela arma, mas com o foco dividido entre o metal e a garota ao seu lado.
— Por causa da minha "família". — começou, fazendo aspas no ar com os dedos. — Mas principalmente por causa do Edward... e da namoradinha dele. — revirou os olhos, com um suspiro irritado.
Dean franziu a testa, confuso.
— Deixa eu ver se entendi. — começou, pausadamente. — O mesmo cara que te deixou sozinha — tecnicamente para morrer — pediu desculpas... no mesmo dia em que você salvou a garota que jurou nunca salvar? E isso liberou o lado lobo da sua linhagem? — recapitulou.
— Exatamente, Winchester. — respondeu ela com um sorriso irônico, ainda que visivelmente forçado.
— Nossa... — disse apenas, surpreso com a frieza do relato. Hope apenas respirou fundo, como se estivesse tentando controlar algo dentro de si.
— Mas em breve vou estar longe disso tudo. — completou ela, quase como um alívio.
— Você viu o Nikolas? — questionou, mudando de assunto.
— Vi. Ele disse pra você ligar pra ele mais tarde. — respondeu Dean, com um leve encolher de ombros.
— Tá bom. — disse ela, já se erguendo. — Vou treinar um pouco. Ver se a transformação colabora hoje.
— Só cuidado, pirralha. — retrucou ele com um sorriso torto.
Antes de entrar, Hope virou-se e, com um simples gesto da mão, lançou uma almofada direto na cabeça dele, usando um toque sutil de magia.
— Aí! — exclamou Dean, pegando o objeto no ar.
— Vá se ferrar, Dean. — gritou ela do corredor.
Ele apenas riu, no exato momento em que Sam e Cristal entravam pela porta da frente.
— Vocês dois parecem crianças. — murmurou Sam, revirando os olhos ao ver a cena.
— Ela é. — replicou Dean, ainda rindo.
— Isso vai dar namoro, podem anotar. — comentou Cristal, divertida. — E quando estiverem juntos, vou dizer que sempre apoiei.
— Nunca. — respondeu Dean, sem hesitar. — Não vou namorar uma pirralha.
— E eu não vou namorar um velhote. — retrucou Hope do quarto, mostrando a língua pela fresta da porta antes de sumir. Dean apenas bufou, vencido.
— Viu só? Pirralha. — murmurou ele, voltando para seu arsenal.
— Pelo amor de Deus... — disse Sam, já cansado. — Vocês dois precisam amadurecer. Isso aqui não é um recreio.
Dean apenas deu de ombros.
A noite caiu sobre Forks como um manto espesso, cobrindo as árvores da reserva com uma névoa prateada. Hope ainda estava na clareira, sozinha, tentando, mais uma vez, acessar seu lado lobo.
Mas algo a impedia. Não era o corpo. Era a mente.
A cada tentativa frustrada, mais consciente ela se tornava de que seu bloqueio era emocional. Desde o momento em que soube que era filha de Lúcifer, a dúvida plantou raízes em sua alma. Como poderia ser tanto? Vampira. Bruxa. Lobisomem. Três naturezas, três heranças de poder... mas também três maldições. Ela havia treinado por anos, se preparado para um dia como aquele, mas jamais imaginou que seria tão cedo. E menos ainda, que o preço seria tão alto.
Se matasse Lúcifer, como lhe haviam dito que precisaria fazer, o inferno seria dela.
Dela.
Hope fechou os olhos com força, pressionando as têmporas com os dedos. O peso daquele destino era esmagador.
— Você está com medo. — disse uma voz atrás dela.
Paul.
— Não só medo. — respondeu, cansada, se deixando cair na grama fria. — Estou perdida, Paul. Eu achei que quando esse dia chegasse, eu estaria pronta. Mas não estou. Eu não sou essa... coisa. Essa guerreira que todo mundo espera.
Ele se ajoelhou diante dela, o rosto sério, os olhos escuros refletindo as estrelas.
— E é exatamente por isso que você é a pessoa certa pra isso. — disse com firmeza. — Você sente. Você pensa. Você se importa. É isso que diferencia monstros de líderes.
Hope o olhou, os olhos marejados. Ele estendeu a mão.
— Levanta. — pediu com suavidade.
Ela pegou a mão dele e se pôs de pé. Paul a guiou até o centro da clareira, e parou atrás dela, pousando as mãos em seus ombros tensos.
— Deixe tudo pra trás. — murmurou. — O passado. O medo. As vozes. Agora é só você. E o seu instinto.
Hope respirou fundo. Fechou os olhos. Sentiu a brisa noturna acariciar sua pele. Sentiu o calor das mãos de Paul descerem até sua cintura, provocando um arrepio involuntário. A tensão em seus músculos foi cedendo. O ar que entrava por seus pulmões era limpo. Claro. Puro.
Então, ouviu.
Sua loba interior.
E quando abriu os olhos, eles não eram mais azuis.
Eram amarelos. Um dourado profundo, escuro, antigo.
Em um salto leve e firme, Hope se transformou.
A loba que emergiu tinha a pelagem branca como a neve, densa e reluzente. Os olhos — os mesmos de antes — agora em um tom intenso de ouro queimado. Poder escorria dela como uma aura viva. Paul, em forma lupina, inclinou-se em reverência. Ela era sua Alfa. Sua Rainha.
Sam surgiu e também se curvou. Logo, os outros lobos da matilha surgiram, um a um, curvando-se diante da nova liderança.
Dean e os demais saíram da cabana. O Winchester mais velho ficou estático ao ver a cena diante de si.
Hope Cullen, em sua forma completa, irradiava poder como ele nunca tinha visto.
— O que ela é? — sussurrou Dean, atônito.
— A Alfa Suprema. — respondeu Billy, sem tirar os olhos da loba branca. — A futura Rainha dos três mundos.
Dean não disse nada. O coração acelerado no peito. O corpo tenso.
Era um poder perigoso.
Sedutor.
E estranhamente, ele sabia — sem entender como — que aquela garota ainda cruzaria o seu caminho de formas que ele jamais poderia imaginar.