Capítulo 44

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Capítulo 44 — "Estrelinha"

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Capítulo 44 — "Estrelinha"

"Nem toda escuridão nasce má. Às vezes, ela é o único abrigo que a luz encontra quando tudo o resto falha."

Os primeiros raios de sol invadiam o quarto modesto do motel à beira da estrada. A luz dourada atravessava as cortinas empoeiradas, lançando feixes sobre a cama desarrumada. O velho rádio portátil tocava "Ramble On", preenchendo o ambiente com nostalgia e saudade.

Dean Winchester, de camiseta branca e jeans baixos, estava na minúscula cozinha preparando o café da manhã. Cortava morangos com calma quase cerimonial, tentando recriar pequenos momentos de normalidade para ela. Queria que ela lembrasse. De risos, toques, noites intermináveis sob as estrelas e manhãs preguiçosas de motel em motel.

Mas aquela Hope... já não existia.

Ela dormia profundamente, os cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro, o rosto sereno como o de uma criança — uma contradição gritante ao humor ácido e à presença sombria que exalava acordada. Dean a observava em silêncio, sentindo um misto de amor incondicional e impotência. Aquela era sua garota, mesmo que agora estivesse mais próxima da sombra de Lúcifer do que da luz que um dia o salvou.

Enquanto isso, no mais profundo de sua mente, Hope sonhava.

Mas não era um sonho... era um lugar. Familiar e frio, um recanto que beirava o limbo. Ela estava novamente na cabana. Aquela onde conheceu Lúcifer pela primeira vez. Mas agora havia calor, claridade. A sala era feita de carvalho branco, simples, aconchegante. Havia dois sofás, uma lareira com quadros acima dela, e fotografias.

Fotos dela... bebê.

Fotos com Jake. Crianças. Sorrindo juntos. Memórias que nunca viveram.

Hope se aproximou das imagens, passando os dedos suavemente sobre uma delas, onde segurava a mão do irmão. Um aperto inesperado atravessou seu peito. O que Jake pensaria dela agora? Pensaria algo? Ou só sentiria raiva?

Ela mordeu os lábios com força, afastando aquele sentimento. Não importava. Não mais. Mas, por algum motivo, não conseguia se desvencilhar daquelas perguntas.

Então ouviu um barulho vindo da cozinha.

Avançou em silêncio, mas parou de súbito.

Sério? — sussurrou para si mesma.

Lúcifer estava ali. Como se fosse natural.

E ela não hesitou. Com um único movimento, o prendeu contra a parede com uma força que faria arcanjos estremecerem.

— Você tem três segundos pra me explicar como ainda está vivo! — rosnou.

— Filha, se puder me soltar antes que eu desmaie de emoção... — disse ele com sarcasmo, o sorriso torto intacto.

O Pesadelo dos VoltursHistórias para pegar e não largar. Descubra agora