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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 2 – O Tempo da Travessia
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." — Fernando Pessoa
Forks – Seis Anos Depois
Seis anos se passaram desde a adoção de Hope Andrea Cullen. Agora, a jovem híbrida havia atingido sua forma física definitiva: quinze anos de aparência, com a maturidade emocional de alguém por volta dos dezesseis. Embora conservasse sua vitalidade juvenil, em seu íntimo começava a compreender as responsabilidades e dores que o tempo, mesmo imóvel para ela, ainda impunha aos sentimentos.
Sua festa de aniversário marcava um ciclo importante — não apenas pelo simbolismo da idade, mas porque, como havia sido previsto por Carlisle, seu processo de crescimento acelerado estava prestes a cessar por completo.
Lembranças: Europa, Itália — Festa de 15 Anos
Hope estava sendo arrumada com o cuidado e o exagero característicos de sua tia Alice, que insistia em deixá-la perfeita para o grande evento. Enquanto isso, Rosalie, sempre atenta, ajustava o penteado da filha com mãos firmes.
— Fique quieta, querida, ou o penteado vai desmanchar — advertiu Rosalie, ao notar a inquietação da garota.
— Mãe, está me machucando... E, tia Alice, dá pra parar com esse pincel? — reclamou Hope, tentando escapar da maquiagem.
— Se continuar se mexendo, não termino nunca — respondeu Alice, paciente, enquanto aplicava sombra nos olhos da sobrinha. — Agora, feche os olhos. Isso, assim.
Hope suspirou, resignada.
Horas depois, a festa já acontecia. A música preenchia o salão. Hope, embora esgotada de tanto ser gentil, mantinha um sorriso educado para cada novo convidado.
— Muito obrigada. Fiquem à vontade — dizia pela centésima vez, antes de virar-se para Edward, que observava tudo com um leve sorriso.
— Se eu tiver que dizer "obrigada, fique à vontade" mais uma vez, vou enlouquecer — murmurou para o tio.
— Gentileza é uma virtude, minha pequena — retrucou Edward, rindo ao ver a sobrancelha arqueada da sobrinha.
— Virtude ou tortura, depende do contexto — rebateu, cruzando os braços.
Logo chegou o momento da valsa. Hope dançou primeiro com Emmett, depois com Carlisle, em seguida com Jasper e, por fim, com Edward.
Enquanto dançavam sob a atenção dos convidados, o telepata a encarou, pensativo.
— Como está se sentindo? — perguntou, com o olhar atento.
— Achei que soubesse. Você não é o leitor de mentes? — disse Hope, com o tom sarcástico que herdara de Rosalie.