Capítulo 13

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Capítulo — Lembranças e Lâminas

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Capítulo — Lembranças e Lâminas

Hope e Nikolas caminhavam pelos longos corredores do hospital, em direção ao quarto onde Scott se recuperava. As luzes brancas os acompanhavam em silêncio, enquanto conversavam sobre tudo — o passado, os anos distantes e as dores partilhadas. Ela se sentia estranhamente confortada por ele. Nikolas havia sido seu primeiro amigo verdadeiro, na época em que ser ela mesma ainda parecia seguro. E, da mesma forma, Hope fora a primeira amizade genuína de Nik. O reencontro, embora repentino, preenchia lacunas antigas.

— Você continua com a aparência de quinze anos... — comentou ele, com um sorriso divertido ao se aproximarem do quarto.

Hope riu, sem pudor.

— Jovem para sempre. Um luxo da minha genética. — respondeu, zombeteira, erguendo o queixo com leveza.

Mas o momento descontraído foi quebrado por uma voz que ecoou pelo corredor.

— HOPE! — chamou Cristal, apressada. A ruiva virou-se no mesmo instante, encontrando a amiga caminhando com passos ligeiros ao lado de Jacob.

— Me acharam. — disse ela com um meio sorriso, observando Jacob se aproximar com o olhar fixo nela. Ao ver que ele ia se inclinar para beijá-la, Hope desviou com habilidade e abraçou Cristal primeiro, o que fez Nikolas arquear uma sobrancelha e sorrir de canto, percebendo a tensão.

Sem hesitar, ele passou o braço ao redor do pescoço da ruiva e a puxou para perto.

— Nikolas. Melhor amigo de infância da Hope. Cheguei ontem. — anunciou, com um sorriso que carregava uma provocação discreta.

— Sim, esse é o Nik. Fazia muitos anos que não o via. — disse Hope, rindo um pouco confusa com o gesto.

— Cristal e Jacob Black. Meus amigos. — apresentou, gentil.

— É um prazer conhecê-los. Amigos da Hope são meus amigos também. — respondeu Nikolas, sem desviar os olhos de Jacob.

— Trouxemos lanche. — disse Jacob, entregando a sacola a Hope, tentando não demonstrar o incômodo.

— Obrigada, Jack. — ela sorriu gentilmente. — Vem, vou apresentar Scott a vocês. — disse, puxando Nikolas pela mão.

No trajeto, Nik inclinou-se até ela e sussurrou:

— Seu amiguinho não gostou nem um pouco de mim. Ele ia te beijar. Só amigos mesmo?

Hope riu, com um certo cansaço na voz.

— A gente ficou algumas vezes, sim. Mas não quero nada sério com ninguém. Principalmente porque... eu vou embora.

Assim que empurrou a porta do quarto, a cena diante deles fez seu coração parar.

Um homem — desconhecido, olhos injetados de raiva — estava sobre Scott, pressionando-lhe o pescoço, sufocando-o. O rapaz se debatia desesperado.

Antes que Hope reagisse, Nikolas já havia avançado. Rápido, preciso, silencioso. Sacou uma lâmina prateada da jaqueta e cravou-a no peito do agressor. O corpo caiu, inerte, no chão.

— Meu Deus... — sussurrou Hope, ajoelhando-se ao lado da cama. — Scott, você está bem?

— Ele quase me matou... — disse o loiro, ofegante. — Eu juro que estou começando a ter medo disso tudo...

Ela o abraçou apertado. Seu olhar encontrou o de Nikolas, que observava atento. Cristal e Jacob haviam chegado à porta e estavam em choque.

— Vou me livrar do corpo. Já volto. — disse Nikolas com naturalidade. Aproximou-se de Hope, beijou sua testa e desapareceu.

— Para onde ele foi? — perguntou Cristal, atônita.

— Se livrar de um... vampiro. — improvisou Hope.

— Vampiro?! Mas ele... simplesmente desapareceu. — Jacob exclamou, confuso.

— Nik é bruxo. Alguns conseguem fazer isso. — disse, mantendo a mentira com convicção.

Sentou-se ao lado de Scott novamente e pegou sua mão.

— Eu prometo, vou te proteger. Não vou deixar nada nem ninguém te machucar. Isso é uma promessa, Scott.

Jacob cruzou os braços, desconfortável.

— O que aquele vampiro queria com ele?

— Eu não sei, Jack. — respondeu Hope com frustração. — Eu realmente não sei.

— Voltei. — anunciou Nikolas, reaparecendo no quarto como se nunca tivesse saído.

— Odeio quando você e o Castiel fazem isso. — resmungou Hope. — Nunca chegam pela porta como pessoas normais?

— Castiel?! — Jacob se intrometeu, furioso. — O que mais você está escondendo da gente, Hope?

Nikolas riu.

— Olha, o namorado está estressado.

— Namorado?! — Scott perguntou, erguendo as sobrancelhas.

Hope fechou os olhos, respirou fundo e lançou um olhar afiado para Nikolas.

— Ele não é meu namorado. — disse ríspida. — E eu não estou escondendo nada. A vida é minha. Se vocês querem estar nela, respeitem as minhas escolhas. Jacob, pare de agir como se fosse dono de algo que nunca foi seu.

Antes que qualquer resposta pudesse vir, Carlisle Cullen entrou no quarto.

— Bom dia, senhor e senhorita Black. — cumprimentou com gentileza. Cristal e Jacob o cumprimentaram respeitosamente.

— Tio Carlito! — exclamou Nikolas com um sorriso. Carlisle o olhou confuso.

— Não acredito que não se lembra de mim... Nikolas, amigo de infância da Hope.

— Nikolas! Claro, rapaz! Há quanto tempo! — disse Carlisle, sorrindo e examinando Scott com habilidade.

— Ele chegou ontem, vovô. Foi até o hospital para falar com você, mas acabou me encontrando antes. — explicou Hope.

— Que bom te rever. Esme vai adorar vê-lo de novo. Hope, meu amor, traga Nikolas para almoçar lá em casa.

— Pode deixar, vovô. — disse ela, sorrindo.

— Já vamos. Te vejo mais tarde? — perguntou Cristal. Hope assentiu e logo os dois lobos se despediram, deixando o quarto.

Carlisle terminou os exames.

— Ele está estável. Se continuar assim, terá alta amanhã. — informou.

— Que alívio... — murmurou Hope, aliviada.

Ela se abaixou, depositou um beijo gentil na testa de Scott e levantou-se.

— Coloquei um feitiço de proteção no quarto. Caso o que o atacou volte, ele será impedido.

Carlisle franziu o cenho.

— Tem certeza de que é uma ameaça sobrenatural?

— Absoluta. — respondeu ela, sem hesitar.

— Está indo para casa?

— Sim, mas nos vemos no almoço. — respondeu, abraçando o avô com ternura. Ele retribuiu com um beijo na testa e saiu.

Hope e Nikolas caminharam lado a lado pelos corredores silenciosos.

Ela sabia. Aquilo era apenas o começo.

O Pesadelo dos VoltursHistórias para pegar e não largar. Descubra agora