Classificação indicativa: +20
Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Capítulo 35 — As Promessas que Guardamos na Alma
"É na incerteza do amanhã que as promessas mais sinceras são feitas."
O peso de se tornar uma Tribida completa não era algo que assustava Hope por inteiro. Havia em si a consciência de que, ao trilhar esse caminho, protegeria a humanidade contra o pior mal já conhecido. Contudo, por outro lado, uma sombra incômoda pairava: a incerteza sobre o controle. O medo de não conseguir conter os instintos de vampiro, o receio das emoções amplificadas tomarem conta.
O corpo dela ainda se adaptava às mudanças, a energia pulsando em cada célula, e a ideia de desligar sua humanidade... não parecia mais tão distante. O pensamento era um veneno silencioso, que a corroía um pouco a cada dia.
Na penumbra do quarto, Dean deitava-se ao lado dela. Observava-a com aquela serenidade firme que lhe era típica. Hope virou-se para encará-lo. Ele repousava um dos braços atrás da cabeça, enquanto a outra mão traçava carícias suaves por sua perna, num toque que aquecia sem pressa.
— Como você está? — a voz dele era baixa, mas carregada de cuidado.
Desde que haviam deixado a mansão dos Cullens, após anunciar a chegada iminente de Lúcifer, Hope estava mais silenciosa. Preferiu o conforto do hotel e do quarto ao tumulto de pensamentos na casa antiga.
— Estou bem — respondeu, mantendo o olhar fixo nele.
Entrelaçou sua mão à dele, buscando um alicerce firme. Dean não interrompeu o carinho, os olhos atentos ao que ela não dizia.
— Você sabe que vou ter que me transformar em vampira, não é? — murmurou, receosa da resposta.
Dean assentiu com a cabeça, como quem já carregava essa certeza no peito.
— Mas mesmo assim, nada vai me afastar de você, minha ruiva — declarou com firmeza. — Eu vou continuar ao seu lado. Sempre.
Um sorriso leve escapou dos lábios de Hope. Ela acariciou o rosto dele, vendo os olhos verdes se fecharem brevemente sob seu toque.
— Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida — confessou.
Dean sorriu, com aquele brilho que só ela conseguia provocar.
— Você é tudo o que eu precisava. Somos o apoio um do outro. E sempre será assim.
Essas palavras confortaram Hope mais do que gostaria de admitir. Dean era o equilíbrio em meio ao caos que sua vida sempre foi. Ele esteve presente nos piores momentos, permaneceu firme mesmo diante das revelações mais sombrias. Ele a viu crescer, tombar, levantar. E continuava ali. O brilho que iluminava a escuridão constante que ela carregava.
Ela sabia, no fundo do coração, que ele não a deixaria mesmo que ela se transformasse. E isso era tudo o que precisava para não perder o controle.
— Eu vou sempre estar contigo, Dean. Sempre. E vou te proteger de tudo o que ronda minha vida. Não importa o que eu tenha que fazer — declarou com a sinceridade de quem entrega o coração em mãos alheias.
Ele sorriu. E o sorriso de Dean era um bálsamo, uma promessa silenciosa de que tudo ficaria bem.
— Eu é que deveria estar fazendo essa promessa, minha bruxinha — disse ele, acariciando seu rosto com delicadeza.
Hope balançou a cabeça, negando.
— Não precisa. Eu já sei que você faria isso por mim sem pensar duas vezes. Mas eu precisava que você soubesse disso...
Dean a encarou, intrigado.
— Por que pensa assim?
Ela desviou o olhar por um breve instante antes de responder:
— Porque eu não sei se vou suportar todas as emoções ampliadas. Existe o risco de eu desligar a humanidade depois de tudo o que vai acontecer. E isso... é a pior coisa que poderia acontecer comigo.
Dean franziu o cenho, confuso.
— Se um vampiro desliga a humanidade, ele perde qualquer emoção. Só sobra o vazio... e a crueldade. E o meu pior lado... é ser igual a Lúcifer — admitiu, com o olhar pesado.
— Hope... você não é ele — Dean a interrompeu, firme. — Nunca será. Você é o lado bom que um dia existiu nele. Mesmo que desligue, eu sei que você não será igual a ele.
— Como pode ter tanta certeza? — sussurrou.
Dean se ergueu na cama, puxando-a para sentar-se de frente para ele. As mãos dele seguraram as dela com firmeza. Os olhos verdes cravaram nos dela, com uma intensidade que fez seu coração disparar.
— Porque eu te conheço, Hope Winchester. Eu sei quem você é. Você é doce, carinhosa, sarcástica, irônica e... um pouquinho perversa — sorriu de canto. — Você tirou o melhor de mim e do Sammy. Você chegou para alegrar nossas vidas. A minha vida.
Ele respirou fundo antes de continuar.
— Com você, eu sei que não preciso ser forte o tempo todo. Quando estamos só nós dois... eu posso ser quem realmente sou. Graças a você, dores que eu achei que nunca seriam curadas estão cicatrizando. Hope, você é a melhor coisa que me aconteceu. Você é a minha pessoa. Minha ruivinha. Minha família desde o momento em que eu olhei nos seus olhos.
Ela permaneceu em silêncio, digerindo cada palavra. Dean Winchester, o homem que odiava declarações, acabara de entregar sua alma a ela sem reservas. Aquilo gravou-se em sua memória como um santuário para onde ela sempre voltaria nos momentos de perda.
— Dean... você é o melhor que há em mim — disse, antes de se jogar em seu colo, abraçando-o com força.
Ele riu baixinho, apertando sua cintura, puxando-a para ainda mais perto.
— Obrigada por estar aqui. Sempre. Por nunca desistir de mim — murmurou.
— Eu sempre estarei aqui para você, lobinha — prometeu ele, a boca tão próxima que Hope podia sentir sua respiração quente.
Ela não hesitou. Cortou a curta distância entre eles e o beijou. Um beijo lento, profundo, que trazia toda a verdade que palavras jamais seriam capazes de expressar. Ali havia desejo, carinho... mas sobretudo, amor. Um amor puro, pesado e urgente. O tipo de amor que queimava e curava ao mesmo tempo.
As mãos de Dean apertaram sua cintura, os corpos se encaixando. Hope enlaçou suas pernas em torno da cintura dele, aprofundando o beijo, as mãos agarrando os fios macios do cabelo castanho.
Ali, naquele beijo, Hope sentiu que tinha tudo. O seu porto seguro, o seu amor, o seu lar. E sabia que, mesmo que um dia desligasse sua humanidade, a lembrança daquele momento seria a corda que a puxaria de volta.