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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 23
"Às vezes, a ausência de respostas pesa mais do que a presença do mal."
Horas escorreram como areia fina pelas mãos da madrugada, enquanto os papéis, símbolos, registros e anotações eram minuciosamente examinados. O cansaço físico pesava sobre os ombros de Hope como um manto invisível, mas sua mente permanecia inquieta. Estava escuro, silencioso, exceto pelo ruído da respiração compassada de Sam e Dean, adormecidos em suas respectivas camas. Eram quase três da manhã. Mas ela não conseguia dormir.
Havia algo que não encaixava.
Por que aquelas vítimas? Por que sugar o sangue até a última gota e ainda arrancar os corações de seus peitos? O modus operandi era familiar... e ao mesmo tempo não era. Aquilo não parecia uma simples caçada. Não era apenas fome. Havia ritual. Propósito.
Apenas quando seus pensamentos se tornaram mais densos e dispersos, uma voz rouca soou nas sombras do quarto:
— Está muito tarde.
Hope assustou-se, levando a mão instintivamente ao peito. Dean estava de pé, próximo ao balcão, os olhos ainda semicerrados pelo sono. Serviu-se de um copo de água e, em seguida, aproximou-se, sentando-se ao lado dela.
— Desculpe — murmurou ele. — Não consegui dormir.
Ela não respondeu de imediato, apenas olhou para os próprios dedos trêmulos.
— Esse caso é... estranho — comentou Dean, sua voz grave ecoando com seriedade.
— De fato. Esse... "lobopiro" sabe como apagar rastros.
Dean revirou os olhos, soltando um leve riso nasal.
— Já falei que esse nome é péssimo. Prefiro híbrido.
— E eu já falei que "lobopiro" é uma aberração linguística — retrucou Hope com sarcasmo afiado.
Ele apenas deu de ombros, lançando-lhe um olhar provocador.
— Tanto faz. Mas é melhor você ir dormir, bruxinha. Amanhã será um dia longo.
Dean levantou-se e estendeu-lhe a mão. Ela bufou, mas aceitou, sendo guiada até a cama.
Deitaram-se lado a lado, os corpos separados apenas por centímetros. O silêncio se prolongou, até que ele quebrou a quietude com um sussurro:
— Posso te fazer uma pergunta?
Hope o encarou. As luzes externas atravessavam as frestas da persiana e iluminavam parcialmente o rosto de Dean, acentuando o contorno de seus traços. Os olhos esverdeados pareciam ainda mais intensos.
— Pode.
— Por que não deixa as pessoas verem o seu lado bom?