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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 40 — "Eu prometi não desistir de você, mesmo que o mundo inteiro já tenha."
O último mês fora um tormento disfarçado de rotina. Dias e noites consumidos por uma busca incessante, um rastro que sempre se desfazia no instante em que parecia próximo o bastante para ser alcançado. Dean Winchester jamais pensou que caçar Hope Morningstar seria mais difícil que enfrentar os piores monstros do submundo. Porque, ao contrário deles, ele a amava.
"Nenhuma caçada, nenhuma maldição, nenhuma guerra foi tão cruel quanto viver sem ela."
Cada cidade, cada estrada, cada esquina visitada representava uma fagulha de esperança que logo era sufocada pela realidade fria: Hope não queria ser encontrada. Todos ao redor começavam a perder a fé. Todos, exceto Dean. Ele não podia desistir — não depois de tudo o que viveram, não depois de ter prometido que ficaria ao lado dela, custasse o que custasse.
De volta ao Banker, Rosalie, Emmett e Jasper somavam esforços à procura. Procuravam um modo de prendê-la, de despertar a humanidade adormecida na Tribida. Dean, porém, só queria a sua ruiva de volta. Sua bruxinha. O vazio de não ouvir sua voz, de não sentir o aroma inconfundível do cabelo dela, o deixava louco. Um homem à beira do desespero.
Sentado na cozinha do hotel, iluminado apenas pela luz fraca do notebook, Dean abriu mais uma cerveja. Já perdera a conta de quantas tinham sido naquela noite. As olheiras pesavam sob os olhos, o cansaço tomava o corpo — mas desistir não era uma opção.
— Cara, vai descansar. Já são três da manhã — resmungou Sam ao entrar na cozinha, bocejando.
— Acho que consegui algo — Dean respondeu, sem desviar os olhos da tela.
— Você sempre diz isso, Dean. Sempre é uma pista falsa. A Hope é esperta, está nos despistando.
Dean o encarou, irritado, mas resignado.
— Eu não posso, Sammy. Não posso simplesmente desistir dela — murmurou, a voz falhando.
— Nós não estamos desistindo, Dean. Mas você precisa descansar. É a primeira vez que te vejo de barba, cara.
Dean passou a mão pelo rosto, sentindo a aspereza da barba por fazer. Soltou um longo suspiro, encarou a garrafa vazia em suas mãos e finalmente a largou.
— Tudo bem, você venceu — murmurou, exausto.
No caminho para o quarto, Dean parou diante do antigo quarto de Hope. A mão pairou sobre a maçaneta por um longo instante, até que, vencido pela saudade, ele entrou. O ambiente permanecia exatamente como ela deixara antes de ir para Forks. Fotografias espalhadas pelas paredes, livros empilhados, o cheiro suave que ainda permanecia ali — tudo intacto, menos ele.
Sentou-se na cama e pegou um porta-retratos na cabeceira: uma foto deles, sorrindo, no parque de diversões, pouco depois de conhecerem Alisson e Jack. O sorriso de Dean foi triste, nostálgico. Ele acariciou o vidro como se fosse o próprio rosto dela.