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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 46 - Sombras que Sussurram
"Às vezes, a diferença entre a estratégia perfeita e a catástrofe é apenas uma pitada de arrogância misturada ao caos."
A manhã ergueu-se envolta em nuvens pesadas, como se o próprio céu houvesse sido silenciado. O sol, sempre presente e absoluto, decidiu ausentar-se. Talvez fosse apenas uma coincidência, ou talvez a natureza, em sua sabedoria ancestral, pressentisse o que estava por vir. Hope caminhava determinada, em busca do Conselho dos Velhos, mas como sempre, a jornada não viria desprovida de irritantes seguidores e obstáculos traiçoeiros.
Na noite anterior, ela e Dean haviam explorado uma instalação suspeita em busca de respostas. O caçador, meticuloso como de costume, abriu o porta-malas e retirou uma pistola e uma lâmina de prata. Hope observou-o, um sorriso divertido brotando em seus lábios.
— Não vai precisar disso, amor. — disse com ironia, a voz melódica carregada de sarcasmo.
Dean revirou os olhos, embora um meio sorriso lhe escapasse. Ele sabia que, se houvesse perigo, Hope lidaria com ele com uma destreza quase assustadora. Ainda assim, não se permitia confiar apenas na sorte.
— Eu sei. — respondeu firme. — Mas prefiro levar do mesmo jeito.
Entraram juntos. Hope hipnotizou um dos funcionários de fachada, arrancando dele a abertura de portas e acessos restritos. O homem, trêmulo, parecia desesperado para justificar a própria utilidade.
— O meu código funciona até aqui... existe um sistema de segurança complexo, vocês não têm ideia. — balbuciou.
Hope sequer olhou para trás, sua voz cortante e desdenhosa ecoando:
— Já pode ir. Aproveite minha generosidade. Não resistir foi seu erro, mas sorte sua que eu esteja de bom humor.
O homem encarou Dean, suplicando uma brecha de esperança, mas o Winchester apenas balançou a cabeça, sinalizando que partisse. Sem hesitar, ele correu.
Dean analisava os corredores e murmurou:
— Temos que achar um jeito de entrar lá... e sem chamar atenção.
Hope ergueu uma sobrancelha, a ironia viva em sua expressão.
— Sem chamar atenção? Claro, entendido. — E apertou um botão. O alarme disparou ensurdecedoramente.
Dean arregalou os olhos.
— O quê...?
— Ah, Dean... — murmurou com um sorriso carregado de malícia. — Se eu fosse o Conselho, prepararia uma armadilha. Fiz apenas o que eu faria.
Antes mesmo que ele replicasse, uma porta de ferro se abriu. Um vampiro surgiu das sombras. Hope girou lentamente o corpo e lançou-lhe um olhar gélido.