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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 39 — "Até mesmo os reis tremem diante do que não podem controlar."
O eco das velhas profecias jamais se dissipara entre as paredes de pedra do castelo dos Volturi. Por séculos, a linhagem dos imortais que governava os vampiros com punho de ferro jamais temera nada além do próprio fim — e agora, esse fim tinha um nome: Hope.
Quando a notícia de que ela havia completado a transformação e desligado a humanidade chegou aos ouvidos dos reis, o ambiente do salão escureceu, não pelo tempo lá fora, mas pelo peso que as palavras traziam. Nenhum deles verbalizou o medo que crescia, mas todos sabiam: aquele era o presságio que tanto tentaram evitar.
Aro caminhava de um lado a outro, inquieto. O olhar distante denunciava que relembrava, nos recessos de sua memória, o encontro com aquela velha bruxa há muitos anos. A criança da profecia... a ruína de todos.
"A criança irá destruir a todos." — aquelas palavras, ditas com voz rouca e gasta, ainda sussurravam em seus pensamentos.
O conselho estava reunido no grande salão, cada membro dos Volturi posicionado em seu lugar de sempre, os olhos vermelhos inquietos. A tensão só foi interrompida quando gritos ecoaram pelos corredores do castelo, vindos das áreas abertas que costumavam ser visitadas por turistas desavisados.
O grito de pânico era claro, animalesco, agudo — e todos os reis souberam, sem que ninguém precisasse confirmar.
Ela estava ali.
— Ninguém reaja. — ordenou Aro, a voz firme apesar do receio. — Deixem que venha.
Com passos solenes, os reis e parte da guarda seguiram o som dos gritos, atravessando os corredores e alcançando um pátio interno de mármore, aberto ao céu. O cheiro de sangue fresco impregnava o ar antes mesmo que a visão completa se revelasse.
Hope estava de pé, majestosamente cruel, segurando uma humana recém-sangrada, que agora jazia sem vida aos seus pés. O sangue ainda escorria de seus lábios. Quando ela os viu, sorriu.
— Hope. — Aro chamou, com a habitual cordialidade que usava com peças raras em sua coleção. — Querida, o que faz aqui?
Ela chutou levemente o corpo da humana ao chão e avançou despreocupada, a passos graciosos, como se passeasse por um jardim.
— Vim fazer uma visita. — respondeu com um sorriso frio, estendendo a mão.
Aro, cauteloso, segurou a mão estendida e, no instante do toque, a avalanche de memórias e imagens o invadiu. Viu tudo: a morte de Lúcifer, o desligamento da humanidade, o ataque a Castiel... e o vazio absoluto em sua essência. Hope agora era outra.
Quando Aro soltou a mão, seu olhar cintilava de algo entre o fascínio e o receio.
— Impressionante... — murmurou, trocando olhares rápidos com Marcus e Caius.
— Então completou a transformação. — Marcus constatou, sua voz carregada de gravidade.
— Com louvor. — ela respondeu, dando uma volta sobre si mesma, exibindo-se como se fosse uma peça de arte rara. — Nunca estive tão bem.
Caius, que até então observava em silêncio, soltou um comentário mordaz:
— Imagino...
Hope parou abruptamente e o fitou, os olhos alternando os tons intensos do vermelho, amarelo e preto que definiam seus olhos Tribida. Um sorriso curvou seus lábios.
— Eu não vim para pedir nada. — começou ela, a voz melodiosa e venenosa. — Vim avisá-los. Não ousem me seguir ou cruzar o meu caminho. Lúcifer serviu de exemplo. Se desejam o mesmo destino, fiquem à vontade para testar.
O salão permaneceu em silêncio. O respeito pelo poder dela estava claro, mas Alec, inconsequente, deu um passo à frente, a expressão carregada de deboche.
— E se... nós não aceitarmos suas condições? — questionou, provocativo.
Antes que alguém pudesse adverti-lo, Hope moveu-se com a velocidade vampírica amplificada por magia. Num instante, Alec estava preso contra a parede, sustentado pelo pescoço por um feitiço invisível, sufocante. O chão tremeu levemente sob a força da conjuração.
Hope o encarou de perto, os olhos faiscando.
— Eu seria obrigada a matar você, querido. — sussurrou, o tom perigosamente doce. — E seria uma pena estragar um rosto tão bonito.
Ela mostrou os dentes afiados, seu sorriso animalesco iluminado pelo brilho perverso de seus olhos Tribida. Alec engoliu seco, sentindo a pressão no pescoço apertar ainda mais.
— Seria mesmo uma pena. — murmurou Caius, sem ousar interferir.
Hope soltou Alec, que caiu ofegante ao chão, e virou-se novamente para os reis, a postura elegante e intimidadora.
— Estão avisados. Mantenham-se fora do meu caminho. — declarou com firmeza, o timbre carregado de ameaça. — Espero que cumpram esse aviso. Do contrário, estarei de volta. E não vai ser para conversar.
Sem esperar resposta, ela se virou, deixando para trás o cadáver da humana e o medo impregnado no ar.
Aro acompanhou-a com o olhar até que desaparecesse pelos corredores.
— A profecia... — sussurrou Marcus. — Está se cumprindo.
Aro permaneceu calado por longos segundos, antes de sussurrar:
— E pela primeira vez em séculos... não sei se podemos sobreviver a isso.
O castelo caiu em um silêncio profundo, enquanto o temor tomava cada um dos presentes. O reinado dos Volturi conhecera muitas ameaças. Mas nunca uma como Hope filha do Diabo.