Classificação indicativa: +20
Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Capítulo 22
"Às vezes, o que buscamos como distração se revela exatamente o que nos confronta: nós mesmos."
Ao adentrar o bar, Hope foi recebida por uma combinação quase ensurdecedora de música alta e vozes embriagadas. O som invadiu seus ouvidos como um turbilhão desordenado, mas ela não estava ali apenas em busca de pistas — precisava distrair-se, silenciar a mente, acalmar o caos que vinha crescendo dentro de si.
Seus passos eram lentos e firmes, a postura confiante e fria atraía olhares por onde passava. Homens e mulheres a observavam com curiosidade, admiração... e uma ponta de receio. Com elegância, sentou-se ao balcão e apoiou os cotovelos na madeira gasta, analisando o ambiente ao redor com olhos clínicos.
— O que vai querer? — perguntou a atendente, aproximando-se com um sorriso gentil.
— Um uísque. Simples, por favor. — respondeu, educadamente.
A garçonete assentiu, servindo-lhe a dose e afastando-se em seguida. Hope levou o copo aos lábios, mas sua atenção foi capturada por uma dupla sentada mais ao fundo. Dois rapazes, aparentemente jovens, carregavam uma expressão sombria — mergulhados em silêncio, afastados do burburinho.
— Eles sempre estão aí. — comentou a garçonete, ao perceber o olhar de Hope. — Era um ritual entre quatro amigos. Dois deles morreram... foram atacados, sem explicações.
O interesse da bruxa se aguçou de imediato.
— E os nomes dos sobreviventes? — indagou.
— Ninguém sabe ao certo. Só os nomes dos que morreram circulam na cidade. — respondeu a mulher, dando de ombros.
Hope assentiu e, deixando a bebida para trás, seguiu com passos calculados até a mesa dos dois rapazes. Ambos levantaram o olhar, confusos com a aproximação inesperada daquela mulher imponente.
— Boa noite. Sou a detetive Manchester. — apresentou-se, exibindo a identificação falsa que Sam havia forjado para ela. — Posso fazer algumas perguntas?
— Eu sou Matt, e este é o Carl. — disse um dos rapazes, educadamente. — Pode perguntar...
Com cuidado, Hope conduziu a conversa. As respostas vieram com hesitação, tristeza, mas também colaboração. Quando considerou que tinha material suficiente, agradeceu aos dois e se retirou.
Caminhava de volta ao motel, o céu já coberto pelo véu escuro da madrugada. As ruas estavam silenciosas e úmidas, e o cheiro da noite misturava-se com o leve perfume de gasolina da estrada próxima. Ao chegar, abriu a porta devagar, tomando cuidado para não acordar ninguém. Entrou e trancou-a logo em seguida.
O silêncio do quarto foi quebrado apenas pelo som suave da respiração de Sam, que dormia profundamente na cama ao canto. Porém, a ausência de Dean a fez franzir o cenho. Imaginou que ele estivesse fora, provavelmente em algum bar, bebendo.