Capítulo 4 – Terna Amiga Solidão
"Terna amiga Solidão,
tu que se faz tão presente em momentos de ausências,
que és tão verdadeira em falsas verdades,
que se expressa tão bem mesmo não falando nada,
companhia inexistente que afaga o improvável.
Boa noite, velha amiga de todas as horas."
Três dias haviam se passado desde a última vez que Edward fora visto em casa. Desde então, a tensão pairava sobre o ar como uma nuvem prestes a desabar. A cada dia de ausência, o incômodo de Hope aumentava. Na escola, Isabella Swan os observava insistentemente. Havia algo na humana que despertava desconfiança – ou talvez fosse algo mais profundo.
Naquela noite, Hope dormia em seu quarto, mas o descanso foi interrompido por um sentimento ruim, denso, opressor. Um calafrio percorreu sua espinha, e por um instante ela sentiu como se a morte estivesse por perto. Tentou ignorar o pressentimento e se forçou a voltar ao sono.
No dia seguinte
Hope acordou, seguiu sua rotina matinal e desceu para o café. Ao chegar à cozinha, encontrou Edward sorrindo. Ele se aproximou e beijou-lhe a testa. Esperava por sua reação, mas ela apenas se sentou no banco da bancada, em silêncio.
— Quero que todos fiquem atentos — disse Carlisle, chamando a atenção dos presentes. — Houve uma morte em Condado Mason. Uma vítima de ataque de vampiro.
Hope sentiu o arrepio de novo. O mesmo da noite anterior. O desconforto era evidente, e todos notaram.
Rosalie foi a primeira a se aproximar, passando a mão carinhosamente pelos cabelos ruivos da filha.
— Querida, está tudo bem?
— Sim... só que ontem, durante a madrugada, acordei com uma sensação horrível. Como se algo estivesse para acontecer — respondeu Hope, inquieta.
— Nada vai acontecer com você, minha esperança — garantiu Emmett, abraçando-a e depositando um beijo no topo de sua cabeça. — Está tudo bem agora, ok?
— Ok — murmurou ela, ainda visivelmente preocupada.
Depois do café, Hope voltou ao quarto, escovou os dentes, vestiu-se com simplicidade: uma legging preta, blusa de lã cinza, bota combinando e um colar presente da mãe. Deixou os cabelos soltos.
No carro
Durante o trajeto à escola, Hope quebrou o silêncio.
— Está se sentindo melhor?
— Sim — respondeu Edward. — Hoje pretendo conversar com Bella.
A resposta trouxe de volta a inquietação que Hope tentava conter. Desviou o olhar para a janela, observando as árvores passarem em borrões.
— Entendi. Boa sorte. — Sua voz era neutra, distante.
Ela sentia o olhar do tio sobre si, bem como a tentativa silenciosa de ler sua mente. Mas a ruiva já havia erguido barreiras mágicas. Edward não conseguia mais atravessar aquela fronteira.
Hope sabia que Isabella representava mais do que uma simples humana. Ela pressentia o caos que a garota traria – e não apenas no seio familiar. Algo maior se aproximava, algo que envolvia os Volturi, os segredos antigos e ameaças ocultas.
Na escola
Hope caminhava com Jasper em direção à sala de aula. Enquanto atravessavam o pátio, os olhares os acompanhavam como sempre. O vínculo entre os dois era forte e silencioso. Ele percebeu a tensão no corpo da sobrinha.
— O que está acontecendo? — perguntou, com preocupação.
— Eu sinto que essa humana vai nos trazer problemas. E se isso chegar aos Volturi... terei que intervir — respondeu, pensativa.
Jasper assentiu e, discretamente, emitiu ondas de tranquilidade. Hope lhe agradeceu com um pequeno sorriso.
Intervalo – Refeitório
Mais tarde, os Cullen se reuniram no estacionamento. Estavam todos: Rosalie e Emmett, Alice e Jasper, Hope sentada sobre o capô do carro de Edward. Discutiam Isabella Swan.
Hope havia bloqueado sua conversa anterior com Jasper da mente de Edward. Era um assunto delicado demais para ser compartilhado naquele momento.
Então, tudo aconteceu muito rápido.
Uma van desgovernada atravessou o estacionamento em direção à humana. Em um movimento instintivo, Hope desceu do capô e ergueu um campo de força mágico ao redor da garota. Ao mesmo tempo, Edward, com sua velocidade vampírica, interceptou a van com as mãos.
Houve um silêncio tenso. Hope olhou para os pais, que já compreendiam a gravidade da exposição.
— Emmett, leve Hope para casa — disse Rosalie com firmeza.
— Mas... — tentou protestar a ruiva.
— Mas nada. Vá com seu pai.
Hope hesitou por um segundo, olhou mais uma vez para Edward e, resignada, entrou no carro com Emmett.
No dia seguinte
A escola havia organizado um passeio, mas Hope optou por não ir. Desde o ocorrido, não dirigira a palavra a Edward. Estava magoada. Ele havia arriscado seu segredo. Arriscado a família inteira.
Trancada em seu ateliê, pintava em silêncio quando ouviu uma batida na porta.
— Querida? — chamou Esme com suavidade.
— Oi, vovó?
— Está tudo bem?
— Está sim — mentiu com um sorriso, tentando tranquilizá-la.
Outro dia – Escola
Durante o intervalo, Hope notava o incômodo crescente de Edward. Ele jogava uma batata no prato repetidamente, frustrado. Era óbvio que o motivo tinha nome e sobrenome: Isabella Swan.
Hope levantou-se repentinamente, jogou no lixo o restante de sua comida e saiu. Jasper a seguiu, e sem que ela precisasse dizer nada, conduziu-a até a floresta próxima. Minutos depois, Rosalie se juntou a eles.
— O que estamos fazendo aqui? — perguntou Hope, confusa.
Rosalie parou diante dela e fez uma pergunta simples:
— Já se sentiu como um balão prestes a estourar?
— Talvez — respondeu a garota.
— Então, deixe estourar — incentivou Jasper.
— Apenas grite, meu amor. Vai se sentir melhor — completou Rosalie.
Hope respirou fundo. Andou até o centro da clareira. E então gritou.
O grito foi profundo, libertador. A magia fluía de seu corpo em ondas visíveis: as folhas foram arremessadas para o alto, os galhos tremularam, e o ar vibrou em torno dela. Era como se estivesse soltando anos de dor, frustração e medo em uma única manifestação.
Quando cessou, virou-se. Jasper e Rosalie sorriam.
— Viu, meu amor? Não foi tão difícil — disse a mãe, envolvendo-a em um abraço lateral.
Hope sorriu, aliviada.
Mais tarde, na mansão Cullen
A família já estava reunida quando retornaram. Hope jantou, subiu para o quarto e ignorou deliberadamente Edward. Tomou um banho longo, vestiu seu pijama e, exausta, entregou-se ao sono profundo.
E, naquela noite, sua antiga companheira silenciosa voltou a visitá-la.
A solidão — que tanto acolhia nos momentos de ausência — parecia sussurrar em seu peito mais uma vez.
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O Pesadelo dos Volturs
ParanormalClassificação indicativa: +20 Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
