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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo 48 – Ecos da Humanidade
"Às vezes, aquilo que mais tememos sentir é exatamente o que ainda nos mantém vivos."
— Vai ser bom ter você de volta. — comentou ainda com o sorriso.
Hope inclinou levemente a cabeça, o semblante carregado de ironia fria.
— Se estiver se referindo à minha humanidade, é como eu digo para todo mundo, ela nunca vai voltar. — debochou.
— É o que veremos. — disse uma voz. Era Alisson. Rosalie sorriu para a morena, satisfeita com a interrupção.
Hope revirou os olhos, visivelmente incomodada.
— Ah, ótimo, já não bastava uma, tinha que vir a outra. — resmungou. — Saiam da minha cabeça, eu quero acordar desse pesadelo.
Rosalie franziu o cenho, observando-a com atenção.
— Que estranho, você achava que era uma memória. — murmurou Rosalie.
— Tive uns dias difíceis. — resmungou Hope, com desdém defensivo.
— Eu sei, Castiel nos contou. — Rosalie falou, com a voz mais suave.
Hope soltou uma risada curta, sem humor algum.
— Ótimo, não sabia que tinham virado amigos, não é como se alguém da nossa família tivesse ligado há algum tempo. — ironizou, sentindo o gosto amargo da mágoa subir pela garganta.
Rosalie respirou fundo antes de responder.
— Estivemos mais ausentes do que gostaríamos, e sentimos muito por isso, erramos com você. Tivemos motivos, e um deles foi você ter ameaçado nos matar da última vez que vimos você. Mas, mesmo assim, mais uma vez gostaria de me desculpar.
Hope estreitou o olhar.
— Espero que não tenha sido sua grande tacada, porque eu não preciso de desculpas.
Alisson inclinou levemente a cabeça.
— Então por que mencionou isso? — Alisson perguntou.
Hope permaneceu em silêncio. Algo se moveu dentro dela, algo incômodo, inesperado. Aquilo a atingiu mais do que gostaria de admitir.
— Sua humanidade está oscilando, não é, Hope? Ela está tentando voltar. — disse Alisson, aproximando-se com cautela.
Hope deu de ombros e começou a andar.
— Ela deveria parar, e você também.
Alisson manteve o tom calmo.
— Isso não é um pesadelo, nem uma memória, ou um mergulho, se é o que está pensando. — explicou.
Hope arqueou a sobrancelha.
— Então, o que é, além de insuportável? — questionou.
— Projeção astral, um antigo feitiço original da família Carson. — Alisson explicou. — Kai está ancorando o feitiço, então, por mais que seu corpo esteja intangível, estamos, de fato, em uma pequena cidade da Itália, onde tudo começou, e tudo o que está acontecendo é bem real.