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Há vinte anos, Lúcifer, o anjo caído, envolveu-se com uma mortal. Dessa união nasceram os gêmeos Hope e Jake: ela, a primeira Tribida da história, fruto de três espécies; ele, o herdeiro do Céu, dotado de luz e força an...
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Capítulo — A Marca da Escuridão
Após o jantar e longas conversas que atravessaram o silêncio tenso da noite, Hope se despediu de seus pais com abraços apertados e palavras brandas. Caminhou até o carro com passos decididos, embora a alma estivesse perturbada. Sentia como se a cada resposta que recebia sobre seu passado, uma nova porta se abrisse para mais perguntas — mais profundidade, mais sombra.
Quando entrou no carro e girou a chave na ignição, o rádio ligou com uma música suave, preenchendo o vazio. Mas o som que realmente a fez saltar de susto não veio dos alto-falantes.
— Olá... — disse uma voz serena, bem ao seu lado.
Hope freou bruscamente, virando o rosto. No banco do passageiro estava Castiel, seu anjo da guarda, com aquele olhar calmo e enigmático de sempre, e um leve sorriso nos lábios.
— Castiel! — ela exclamou, ainda com o coração acelerado. — Quer me matar do coração?
— Desculpe. Não foi minha intenção assustá-la. — respondeu ele, desviando o olhar para a estrada com discrição.
Hope suspirou, massageando as têmporas.
— Tudo bem. Só... não apareça do nada assim, ok?
Ele assentiu sem responder. Um silêncio confortável se instalou por alguns instantes, até que Castiel a observou de relance.
— Você vai nos ajudar?
Ela refletiu por alguns segundos, com os dedos apertando o volante.
— Sim. — respondeu por fim. — E... para onde vamos depois de Forks?
— Ainda não sei ao certo. — disse, evasivo.
Hope o encarou com uma sobrancelha arqueada.
— Os irmãos Winchester ainda estão analisando o próximo caso.
Ela quase freou de novo.
— Espera... o quê?
— Você irá trabalhar com Sam e Dean. — afirmou como se fosse algo óbvio.
— Castiel, você não me disse isso!
— Me desculpe. Mas é isso. — disse, com tranquilidade.
Ela revirou os olhos e estacionou o carro em frente ao prédio onde Scott morava. Saiu do carro acompanhada do anjo, que permanecia em silêncio.
— O que foi? — perguntou Hope, ao notar o olhar fixo dele para a janela do apartamento.
— Algo está errado aqui. — murmurou, segundos antes de desaparecer.
Hope não hesitou. Correu para dentro do edifício, cumprimentando o porteiro com um aceno apressado. Subiu pelo elevador até o quarto andar. Assim que o corredor se abriu à sua frente, seu coração apertou. O cheiro metálico do sangue pairava no ar.